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sexta-feira, setembro 18, 2009

da impossibilidade de declarar o amor

Post Continuação das Declarações de Amor I e II

Não te concedo o prazer de se aventurar pelos meus exercícios de dizer e expressar a minh'alma. Nosso diálogo inter-afetivo, porém unilateral, não quer te permitir a descoberta de minhas ambigüidades.
E nelas, as ambigüidades, permaneço como se meu chão fosse movediço porque meu coração é essencialmente grande parte do que sou.
A compreensão do eu que é exigida por ti não se reduz a acordos. E meu amor depende do quanto, em ambigüidades, você quer se arriscar.

quinta-feira, outubro 23, 2008

Cardápio

I
Eu pediria algo apimentado com toques de cor e um sabor cítrico ou agridoce. Algo a ser degustado com volúpia e ao mesmo tempo com calma. Talvez um misto de coração, peito e lombo. Um belo pescoço ao molho de chanel e lábios carnudos e com um toque de frutas. Pra beber, pediria a doce seiva do amor, que a seria destilaria no momento certo.

II
Eu prefiro conteúdo. Coisa bem forte como comida brasileira ou italiana. Sempre com fartura e gosto! Um recheio bem suculento, com emoção e prazer! Cobertura no ponto certo, para ser deliciada com a lingua bem devagar!

PS: Me desculpem aos aficcionados pela cozinha minimalista francesa, sem dúvida, boa na apresentação, entretanto sempre há a sensação de quero mais.

III
Peço prato fundo e Cheio. Se sexo fosse comida, certamente saberia meu maior pecado: A Gula.



Post advindo de conversa no orkut.

domingo, julho 06, 2008

Declaração de Amor II


Hoje você começa a galgar os degraus do Paraíso enquanto eu permaneço aqui entre as árvores sombrias e monótonas condicionado a nunca mais sonhar. Minha imaginação fecha-se para o real e minh'alma cria outros universos. Não cria, mas recira. Recria você no meu universo, meu infinito particular.

E ainda assim ouço música em você, compro livros, bebida e comida em você. E vôo sob suas asas, atrás dos seus olhos, dentro da sua carne. Lembro coisas inúteis, esqueço dos sonhos despertos.

Amargo e Doce, Triste e Feliz, Bom e Ruim. Fecho os olhos enquanto meus braços estão abertos. Ando devagar enquanto o coração tem pressa. São déja vu inéditos e clichês originais. E vivo na antítese de tudo, vivendo de um extremo ao outro entre o amor e a dor.

E quando passar por aquelas ruas, lembre-se de mim, se impossível. Porque eu só sei ser assim.

sexta-feira, julho 04, 2008

Declaração de amor


“E mais uma vez minhas palavras são tuas. Há tanto de você em mim que não posso esconder. Não posso tirar - é tanto que me deixaria vazio.


Eu te vejo por entre as minhas letras, nas palavras que nunca mais serão escritas de forma errada, nas minhas perfeitas concordâncias verbais. Escuto-te no meu bom gosto musical. Sou-te na minha sensibilidade, no meu gosto pelo lindo e belo...


E tem livros teus na minha prateleira e calcinhas tuas na minha gaveta. Tem tua sobremesa preferida por toda a geladeira. Tenho um amor todo teu no peito. O problema é que já não existimos mais.”


Em Círculos


Precisei arrumar as malas e comprar passagem pra China pra perceber que não precisava ir tão longe para ver a grande muralha. Precisei arrumar as malas e ir pro outro lado do mundo pra perceber que não precisava arrumar as malas pra chegar no outro lado do mundo. Foi preciso um quarto de hotel, uma caminhada a sós e uma briga com um bêbado pra perceber o que é a solidão. Pra sentir em meu corpo a neve em pleno verão.


Vaguei por cidades amigas e lindas. Costurei na vestimenta de uma gueixa, os bordados das ruas sem saída e alimentei nos raios do sol nascente, as planicies e planaltos árduos com feijão e solidão.


Falar de amor? Escrever sobre a saudade? Propor devaneios nostálgicos? Recitar poemas aos prantos? Beber um copo d'água numa tacada só e chorar? Fechar as mãos sem rancor? Não foi tão efervescente assim. Ácido Acetilsalicílico pro vírus do sentimento. E o remédio? São os sintagmas preposicionados, a escrita fragmentada, as orações subordinadas. É o que permite ler e é o que me permite ser lido mesmo que me torne cego.


Precisei querer ser alguém que não era e não era pra ser. Precisei pedir esmola pra mendigo, beijar répteis à contragosto, mergulhar num lago gelado, gritar em filmes mudos, acertar uma flecha no peito da amada, sentir o doce antes do amargo. Precisei ser alguém que remava contra a maré, me ver de longe e pequeno, um idiota, estúpido; ser alguém que perseverava pra perceber que não percebia nada, que todo sentido é sentido e pressentido, nunca ressentido ou consentido e, finalmente, que nenhum vulcão seria capaz de aquecer a neve que predominava em minha alma evasiva e rigorosa.

12 de Janeiro


O sol apenas queimava e ao invés de fazer brotar gotas de suor nos homens expostos, secava com rapidez toda e qualquer manifestação líquida do corpo humano. Não havia poças no chão, o sangue engrossava e o suor grudava, incrivelmente sólido, nas camisetas rasgadas e ferventes. Os olhos ardiam e mesmo assim nenhuma lágrima ousava cair. A paisagem estagnada sendo movimentada apenas pela ilusão do vapor que emanava do asfalto. A temperatura ambiente era fruto do psicológico humano e da malícia do imponente e impiedoso sol. Gargantas secas por toda eterniade numa retida cumplicidade entre o silêncio e o sofrimento. Com a forte luminosidade, as folhas caídas queimavam e as ruas eram verdadeiras Vias Dolorosas. Janeiro não tinha razão de existir, no entanto, aquele 12 de Janeiro parecia inadequado à morte.

terça-feira, março 04, 2008

Casa no campo

Comprarei uma casa no campo. Quero uma vaca, cinco porcos e dezesete galinhas. Arrumarei para elas um lugar tão calmo quanto arrumo para mim. Então, sentarei na minha preciosa cadeira com meu chapéu de palha, terei a proteção da minha espingarda ao meu lado, encostada na antiquada cadeira e, sentarei eternamente em frente a minha casa pequena esperando a morte vir e me levar.

sábado, fevereiro 09, 2008

Barão


Encharcado de suor, largado na cama, viro pro lado, procuro meu Marlboro, fecho meus olhos, acendo o cigarro e no terceiro trago, exalo o odor tôrpego da fumaça por entre meus lábios semi-abertos e cansados. Portanto, ao me encontrar, cheia de carícias, não venhas quente, pois já não mais estarei fervendo.

sexta-feira, fevereiro 01, 2008

Cata-vento


E pelo meu sopro, pelo ar que invade meu peito e que libero como uma forma de expandir a angústia que há dentro de mim, vou contaminando aqueles que estão próximos a mim, aqueles cujo sopro me afeta de alguma forma, mas que não me contamina porque sou demasiadamente egoísta pra atrair a epidemia dos outros. Quero a dor só pra mim. Gosto do auto-flagelo.

E assim, nessa interação de ares e ventos que circunscrevem minha existência, lido com o vento interior. Vento leve como a brisa e que às vezes, de supetão, se torna rajada, e outras vezes, tufão.

O Piano




[Imagem em preto e branco]

Aquela presença me incomoda e seu som me perturba num misto indescritível de delírio e melancolia. Aquele som grave opondo-se ao agudo e concomitantemente fazendo ressoar a dor que eu não ousaria pronunciar, o sentimento que não ousaria sentir, o silêncio que não poderia suportar, o período que não conseguiria terminar.

Explodo de fúria, mas não chego perto. Deixo o piano falar, deixo o piano tecer as notas e construir a realidade da qual pertenço. Deixo o piano desenhar com sua melodia a harmonia do meu coração. Deixo o piano me ferir com o gravíssono de seu som e deixo-o levitar minh'alma com a derradeira nota inaudível.

É a profana madeira negra que me atrai. Não. É a atmosfera sagrada que me perpassa. Invade-me o dedilhar da sinfonia insuportavelmente encantadora. Vibras e és. Vibras as cordas, És o piano. Não devo deixar me levar pelo piano. Imploro por um sustenido ou bemol, imploro pela insólita fuga do ordinário. Imploro para que toda a perfeição do piano destrua minha fantasia, acabe com minha dependência. E assim, mesmo perto, me afaste do piano e fique num lugar onde minha visão não possa o alcançar.

Hoje dou-te de costas. E hoje sou orgulhoso àquelas desafinadas notas. Fecho meus olhos. Mas deixo meus ouvidos abertos.

quinta-feira, janeiro 24, 2008

Recanto


Aconchegante terra
De palavras psicografadas
Cantadas nova e eternamente

Amor-próprio


Todos dizem que ela deve amar, que deve encontrar alguém e ser feliz!!

E, para isso, primeiramente, ela deve amar a si mesma, ter amor-próprio.
Mas não. O amor dela é impróprio.

E o meu também.

Valsa




O meu coração bate infinitamente no compasso ternário. Cada tempo que se repete é o reflexo do meu som, do seu som e do silêncio que só nós conhecemos.

Amor


Após alguns lápis quebrados e tintas de canetas na minha mão vermelha e cansada, não consegui!

Não consegui definir o amor. Daí, levantei e concluí!
Não que o amor seja indefinível, inexprimível.
Na verdade, o amor é irreal, o amor não existe!!

Não em palavras!

sábado, abril 28, 2007

Amor no Cangaço


"Se eu soubesse que chorando/ empato a tua viagem/ meus olhos eram dois rios/ que não te davam passagem."

[Lirismo de Volta-Seca, cangaceiro do bando de Lampião]

domingo, fevereiro 11, 2007

Amor, I love you!!




" - Tinha suspirado. Tinha beijado o papel indevotamente. Era a primeira vez que lhe escreviam aquelas sentimentalidades. E o seu orgulho dilatava-se ao calor amoroso que saía delas como um corpo ressequido que se estira num banho tépido. Sentia um acréscimo do estímulo por si mesma. E parecia-lhe que entrava enfim uma existência superiormente interessante onde cada hora tinha o seu intuito diferente, cada passo conduzia um êxtase. E a alma se cobria de um luxo radioso de sensações."