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quarta-feira, julho 02, 2008

El Sarcasmo

Tenho muito dó de quem me olha e acha que sabe o que vê.
Assim como morro de pena de quem me lê e pensa que entende o que eu quis dizer.







Pos Scriptum:
Sou oásis sem montes de terra pelos lados,
Assim como sou ilha e pra quem vê a água que me cerca, não imagina a profundidade do oceano.

sábado, maio 03, 2008

Axé Music

Em plena Quarta-feira de cinzas, findo o Carnaval para aqueles que compreendem a utilidade do superego proposto por Freud e não se rendem às mazelas carnais e decadentistas de uma época animadinha onde o ser humano esquece suas obrigações para correr desesperadamente semi-nu atrás de ônibus gigantescos em pleno sol de 40° seja em qualquer lugar do país, discutia com pessoas que jamais participariam da orgia mencionada acima - não por falta de vontade, mas por puro recalque - sobre o estrondoso sucesso do Axé Music de Salvador que repercutia em todo o país.

Chegamos então, à personagem-protótipo dessa escola musical que tem colhido bons frutos nessa área, principalmente nessa época. Eis que surge a figura da Poderosa Ivete (voz e pernas) e sua Festa, seu carro não mais velho, seu amor canibal e sua pequena astronave dando um ar inaproriadamente psicodélico ao contexto ao qual ela pertence.

O comentário na rodinha dos pseudo-intelectuais, dos especialistas em cultura inútil e dos recalcados de Carnaval era o extermínio do Axé Music da face da Terra ou o assassinato - com direito a bilhete emo-suicida (pleonasmo?) - da querida diva brasileira, cujas pernas, by the way, valem a ida a Salvador. Dentre comentários do tipo: "Morte ao Axé" "Anarquia soteropolitana" e outras ofensas impróprias à pessoa pública da querida ex-peguete do Huck e da Xuxa (oops...), algum fã, nitidamente esmagado e pressionado a falar mal de seu ídolo, tentava de todas as formas amenizar a situação. "Ai, gente, ela nem é tão ruim assim, vai?" Sendo rebatido constantemente pelos líderes revolucionários que preferem apontar o joio a recolher o trigo.

Então, ainda contrariado, mas indisposto a continuar uma discussão. Afinal, gosto não se discute, ne?, o retraído fã diz: "O que ela faz é ruim, mas ela é boa no que faz". Alguns ficaram calados, concordando com os atributos vocais, artísticos e físicos (da cintura pra baixo, claro), mas não senti que aquele argumento realmente fosse válido para qualquer coisa.

Se partirmos do ponto de que a competência gera a crítica positiva, estaríamos então elogiando e admirando o assassino competente? o corrupto competente? o pedófilo competente? Se nossos argumentos se direcionam para a maneira como as pessoas agem e ignoram a ação que está sendo feita, acho difícil chegar-se a alguma conclusão que defina realmente um ponto de vista plausível. Não sou politicamente correto, mas também não adoto os ideias dos incorretos e dos serial killers. O ser humano é ambíguo mesmo. Mas se é pra fazer o bem, que façamos bem. E se vier o mal, mesmo que de forma bem feita, não esqueçamos do mal. O mal pode ser mascarado, claro. Mas molduras boas não salvam quadros ruins e máscaras de porcelana quebram facilmente.

Quanto à Ivete, não emiti nenhuma opinião. Sabe como é, ne? Opinião é igual a bunda, cada um...

Breve consideração sobre o amor

Sim. O amor acaba. E pode acabar em qualquer lugar: numa cama bem quentinha, num barzinho na esquina, no silêncio do teatro, na beira da praia, na UTI de um hospital. Acaba num parque cheio de lama, diferente do campo aberto e ar puro onde o sentimento começou a pulsar.
O homem termina o relacionamento e vai comprar um cigarro, vai andar sem rumo e esperar o próximo rabo de saia. A mulher vai chorar por 3 dias seguidos, tomar um pote de sorvete de creme e chorar novamente, já não mais pelo término do relacionamento, mas pela possibilidade de uns quilinhos a mais...

O mais importante, entretanto, não é a conseqüência do térmnino do amor, mas o modo pelo qual ele temrinou.

O homem é frouxo. Só usa vírgulas, jamais um ponto final. No máximo, sendo bem otimista, ponto-e-vírgula. Ou então, o homem cria situações para que a mulher diga:
"Basta! Chega! Assim não dá."
"Poxa, que pena. Tá bom."

A mulher é expressiva. Passa por todas as figuras de linguagem - da hipérbole à metonímia. Só uma fica de fora: a metáfora. Ah...metáforas!! Mulher se entrega, diz na lata, no sentido mais denotativo possível. e as expressões vão mais além: é vaso quebrado, garrafa de whisky jogada na parede, tentativa de agressão física, puxa o próprio cabelo. Nessas horas se descobre o quão paciente consegue ser o homem e o quão chorona consegue ser a mulher.

Amor de verdade não termina de forma civilizada. Tem que ter discussão, tem que haver luto. Não vale sair por aí assobiando, cantando uma musiquinha qualquer e chutando as pedrinhas e as chapinhas de cerveja que aparecem pela frente. Tem que cantar: "Acabou o amor! Isso aqui vai virar um inferno" Término de relacionamento sem baixaria é comprovação da inexistência do amor.

O amor exige uma viuvez
e condena o ex-casal ao exílio. Até que apareça alguma plebéia ou algum mancebo que faça a paixão bortar novamente...e até o dia em que os desentendimentos virão e a tranquilidade masculina e o aguaréu feminino se fizerem presentes novamente...e assim sucessivamente...

Compartilhar é viver

Entra no ônibus e espera alguém puxar papo com você. De histórias de genros ingratos à plano de carreira você vai ouvir.Vai ao banco pagar conta, diga-se de passagem que ninguém atinge a felicidade plena em tal situação, mesmo assim, alguém sempre encontra oportunidade pra tecer comentários sobre a hipocrisia da sociedade capitalista.

E a vida vai seguindo assim. Em qualquer lugar que esteja, por menos rugas que se verificarem em sua testa e por mais amigável que seu rosto possa parecer, sempre haverá alguma alma solitária em busca incessante por atenção, por carinho, por desabafo, por preenceher um vazio desconfortante.

O ser humano é uma coisa incrível mesmo. E sedento por dividir. Dividir a alegria, o ódio infundado pela política, as inadequações no português, o sentimento de abandono e de solidão.
Salvo algumas raras exceções onde o papo é iniciado num lobby da biblioteca pública ou em algum lugar onde se espera que alguém como você apareça e possa compartilhar o que você também quer compartilhar.

Pessoas que não sejam como as da fila do caixa das Lojas Americanas ou as sentadas nos banquinhos pseudo-acolchoados dos bancões do centro da cidade, com um monte de papel na mão, pra pagar, claro. Pessoas que não se metam onde não foram chamadas, pessoas que não queiram compartilhar as desgraças de suas vidas vividas, bandidas, sofridas e fu**** apenas por compartilhar, pessoas que não queiram invadir a privacidade, que não subtraiam a solidão alheia com comentários previsíveis e sem conteúdo funcional.

A última coisa que vc espera é ser depósito de futilidades, de amenindades, de divagações sobre o clima. Não preciso que alguém me diga que o dia está quente porque consigo perceber isso sem precisar de segundo grau. O que você não quer é que te vejam como psicólogo ambulante, mas claro sem te dar o crédito pela possível ajuda, e, obviamente, sem os devidos honorários (psicólogo custa caro, bem). A última coisa que vc quer é que te façam perder a concentração e te roubem a solidão "sem verdadeiramente te oferecerem companhia"

Mas esse tipo de coisa você não quer falar pra tal tipo de pessoa, ainda mais em voz alta, ne? Porque se não você é o arrogante, o nojento, o mal-educado e dá-lhe adjetivos pejorativos. Por que compartilhar um ponto de vista com pessoas que compartilham tudo, menos o seu memso ponto de vista?

Bom, fico feliz em informá-lo de que seus problemas acabaram porque agora existem os fones de ouvido (que vêm acompanhado de mp3, mp4, mp987, dentre outros derivados) e que além de te tornarem intocável, ainda oferece música à seu gosto, que pode ser compartuilhada ou não.

Eis então os fones de ouvido: separando você da vida medíocre ao seu redor!!

quinta-feira, fevereiro 07, 2008

Zoológico




Placa de aviso aos racionais:

Mantenha distância da parte central do lugar onde nenhum animal ousa ir!
Não se deixe enganar pela oficina que parece uma floricultura infinita!
Sob hipótese alguma, se deixe levar pelo cheiro das flores e pelos tons de verde ao redor da jaula!

Mas, acima de tudo, não alimente a serpente!
Não faça com que o ócio tenha que criar mais outro Deus.

A humanidade não vai aguentar outro peso na consciência!

...

**Dor nas mãos?? Sim. Deve ser tendinietzsche!!

quinta-feira, janeiro 24, 2008

Hormônios


Falta serotonina nessa Pós-Modernidade.

sexta-feira, dezembro 14, 2007

Agonizando


Bem-aventurados os escritores acadêmicos!!
Bem-aventurados os leitores das referências bibliográficas complementares!!
Bem-aventurados os que inserem citações em seus textos!!
Bem-aventurados os que elaboram projetos na universidade!!
Bem-Aventurados os seguidores do teatro do Absurdo!!

Por fim, bem-aventurados os que não têm produção literária.

Catarse é uma coisa que machuca demais!!

terça-feira, maio 01, 2007

Casa Comigo

"Casa comigo que eu te faço a pessoa mais feliz do mundo.
A mais linda, a mais amada, respeitada, cuidada ...
A mais bem comida.
E a pessoa mais namorada do mundo e a mais casada.
E a mais festas, viagens, jantares, ...
Casa comigo que te faço a pessoa mais realizada profissionalmente.
E a mais grávida e a mais mãe.
E a pessoa mais as primeiras discussões.
A pessoa mais novas brigas e as discussões de sempre.
Casa comigo que te faço a pessoa mais separada do mundo.
Te faço a pessoa mais: solitária com um filho para criar do mundo.
A pessoa mais: foi ao fundo do poço e dá a volta por cima de todas.
A mais reconstruiu sua vida.
A mais conheceu uma nova pessoa,
A mais se apaixonou novamente...

Casa comigo que te faço a pessoa mais: "casa comigo que te faço a pessoa mais feliz do mundo".

Texto da peça Regurgitofagia - Michel Melamed (porque quando eu crescer, quero ser igual a ele!!)
http://www.youtube.com/watch?v=UfskBanPSxw

segunda-feira, fevereiro 12, 2007

Caso Joãozinho


Quanta atrocidade!!

Ligo a tv e me deparo com notícias sobre um assalto seguido de uma morte trágica de uma criança de apenas 6 anos
Um menor de idade cuja morte foi causada por outros menores de idade, porém, não mas crianças...

Daí surgem vários questionamentos acerca da conduta dos delinqüentes, da tragédia em si, mudança do Código Penal, imobilidade da OAB, povão confabulando possíveis punições, etc e tal...

Sensacionalismo global de praxe... e família chorando, pra variar...vítima de mais uma violência da "Wonderful City"

Dentre tantos debates e confusões de opiniões, chego a conclusaõ de que não adianta combater efeitos sem sanar a causa. Falar em oportunidades iguais parece utopia mas, pelo menos, a cidadania deveria existir de fato e não apenas de direito. Para TODOS. Isso seria de grande ajuda no combate a essas barbáries. Agir é preciso. Mas quem vai agir? o morador da esquina? o pai de família dedicado, que corre o risco de perder seu filho de 6 anos arrastado por 7 bairros?

Outras pessoas deveriam ser arrastadas por 7 bairros... (E mais uma vez o brasileiro pensa em punições...)

Se o Estado não respeita as suas próprias normas, porque a pena de morte haverá de intimidar alguém? São sociedades que coexistem mas... até quando? Até retrocedermos ao "olho por olho, dente por dente"? Não duvido. Nada mais me espanta diante de mais essa crueldade.

Por isso, antes que voltemos à idade da pedra e ajamos como seres irracionais ou então, antes que consigamos transformar o nosso caos em calamidade...

Decidi que vou-me embora pra Pasárgada...Lá sou amigo do rei!! (Talvez, amigos de reis não corram o risco de terem seus familiares a mercê da criminalização organizada)

A lição de toda essa história não foi aprendida pelos delinquentes juvenis que daqui a 3 anos arrastarão mais crianças por 7 bairros, mas sim pelos pais...que nunca terão João Hélio perto deles de novo...