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sexta-feira, julho 04, 2008

Declaração de amor


“E mais uma vez minhas palavras são tuas. Há tanto de você em mim que não posso esconder. Não posso tirar - é tanto que me deixaria vazio.


Eu te vejo por entre as minhas letras, nas palavras que nunca mais serão escritas de forma errada, nas minhas perfeitas concordâncias verbais. Escuto-te no meu bom gosto musical. Sou-te na minha sensibilidade, no meu gosto pelo lindo e belo...


E tem livros teus na minha prateleira e calcinhas tuas na minha gaveta. Tem tua sobremesa preferida por toda a geladeira. Tenho um amor todo teu no peito. O problema é que já não existimos mais.”


Em Círculos


Precisei arrumar as malas e comprar passagem pra China pra perceber que não precisava ir tão longe para ver a grande muralha. Precisei arrumar as malas e ir pro outro lado do mundo pra perceber que não precisava arrumar as malas pra chegar no outro lado do mundo. Foi preciso um quarto de hotel, uma caminhada a sós e uma briga com um bêbado pra perceber o que é a solidão. Pra sentir em meu corpo a neve em pleno verão.


Vaguei por cidades amigas e lindas. Costurei na vestimenta de uma gueixa, os bordados das ruas sem saída e alimentei nos raios do sol nascente, as planicies e planaltos árduos com feijão e solidão.


Falar de amor? Escrever sobre a saudade? Propor devaneios nostálgicos? Recitar poemas aos prantos? Beber um copo d'água numa tacada só e chorar? Fechar as mãos sem rancor? Não foi tão efervescente assim. Ácido Acetilsalicílico pro vírus do sentimento. E o remédio? São os sintagmas preposicionados, a escrita fragmentada, as orações subordinadas. É o que permite ler e é o que me permite ser lido mesmo que me torne cego.


Precisei querer ser alguém que não era e não era pra ser. Precisei pedir esmola pra mendigo, beijar répteis à contragosto, mergulhar num lago gelado, gritar em filmes mudos, acertar uma flecha no peito da amada, sentir o doce antes do amargo. Precisei ser alguém que remava contra a maré, me ver de longe e pequeno, um idiota, estúpido; ser alguém que perseverava pra perceber que não percebia nada, que todo sentido é sentido e pressentido, nunca ressentido ou consentido e, finalmente, que nenhum vulcão seria capaz de aquecer a neve que predominava em minha alma evasiva e rigorosa.

quarta-feira, julho 02, 2008

El Sarcasmo

Tenho muito dó de quem me olha e acha que sabe o que vê.
Assim como morro de pena de quem me lê e pensa que entende o que eu quis dizer.







Pos Scriptum:
Sou oásis sem montes de terra pelos lados,
Assim como sou ilha e pra quem vê a água que me cerca, não imagina a profundidade do oceano.

sábado, maio 03, 2008

Carta-fora-do-envelope

Fora do envelope porque assim não corre o risco de ser entregue algum dia...

"Sim, você foi muito importante pra mim...pena que por causa das minhas dúvidas, minhas neuroses, minhas indecisões, minha fragilidade, meus medos, minha precariedade de relacionamento, minha aversão à intimidade, minha solidão e minhas reticências só fui descobrir tarde demais...
Mas ainda assim não consigo pensar no que poderia ter sido...acho que o que sentia nem era amor para ser incluído numa história de amor. E também se foi amor, já passou batido, deixou o orgulho ferido. Agora o sentimento só volta na memória pra me lembrar do quão importante tu fostes pra mim e esse mesmo sentimento, que, por falta de palavra melhor chamo de amor, serve apenas pra soprar a cicatriz e fazer arder a ferida...Vai me acompanhar pra sempre, mas não vai me fazer sofrer por muito tempo...
Bem, hoje em dia, mal nos falamos...mas acho que eu é que evito o contato maior e você deve entender o porquê."

sábado, março 15, 2008

Calado

Engulo anfíbios
Que separam o silêncio e travam a garganta

Coleciono inacabáveis abismos
Onde não se vê o lago de lág-rimas

terça-feira, fevereiro 12, 2008

Agora


O presente é nossa verdadeira conquista.
O que passou e o que há de vir são meras conjeturas e especulações.

domingo, fevereiro 10, 2008

Metalinguagem

Escrevo sobre o amor porque me incomoda. É um desconforto insuportavelmente apaixonante.

Eiscreme


Aquele sorvetinho alemão já mereceu coberturas de caramelo, morango e chocolate. Agora, essa textura ariana é pura demais para aceitar companhia.

Jamais será um Häagen-Dazs!! Não pela presença excessiva do gelo, mas pela impossibilidade de excitar o calor amigo.

Aquele sabor não dissolve mais na minha língua. Mesmo assim, ainda pensa que todos se derretem por ela...

sábado, fevereiro 09, 2008

Perdão

Não existe perdão. Existem provas de perdão.

"E o seu perdão é uma mentira que a minha vaidade quer."

quinta-feira, fevereiro 07, 2008

Post Carnaval


- Cadê o superego desse povo??

- lálálá-ôôô lálálá-ôôô lié-lié créu créu crééu lálálá-ôuôuô

sexta-feira, fevereiro 01, 2008

Nonchalant

Eu sou o cocô do cavalo do bandido
Quando você passa, eu estou caindo.

Concluo então:

Não sou mais a mosca que pousara na tua sopa!

quinta-feira, janeiro 24, 2008

Hormônios


Falta serotonina nessa Pós-Modernidade.

sexta-feira, dezembro 14, 2007

Saudade errante

"- Odeio sentir falta das pessoas quando meu orgulho me proíbe de procurá-las"