quinta-feira, janeiro 24, 2008

Valsa




O meu coração bate infinitamente no compasso ternário. Cada tempo que se repete é o reflexo do meu som, do seu som e do silêncio que só nós conhecemos.

Amor


Após alguns lápis quebrados e tintas de canetas na minha mão vermelha e cansada, não consegui!

Não consegui definir o amor. Daí, levantei e concluí!
Não que o amor seja indefinível, inexprimível.
Na verdade, o amor é irreal, o amor não existe!!

Não em palavras!

sexta-feira, dezembro 14, 2007

Saudade errante

"- Odeio sentir falta das pessoas quando meu orgulho me proíbe de procurá-las"

Composição


Criação
Mente humana
Harmonia e Melodia


Fazenda
Fazendo sentimentos
Arando terra


Arte
Teoria lacto
Sentido stricto


Chamex
Vazio anti-melanina
Impressões coloridas

Praias de Março


"São as águas de Março fechando o verão..."

Mais uma temporada se passou e Regina andava calmamente como se tivesse todo o tempo do mundo para percorrer cada centímetro do calçadão preto e branco-desbotado de Copacabana. Uma atmosfera de bossa nova, uma leveza incontrolável que a fazia lembrar de seus antigos amores frustrados enquanto passeava pela orla. Andava e ouvia as músicas de Tom Jobim em sua mente.

Observava as ondas como se fossem as primeiras de sua vida. Era como se elas levassem tudo e não trazessem nada de volta. Observava com os olhos semi-abertos para proteger-se do sol, proteger-se de enxergar o que vai alem de seu entendimento.

"Vou te contar o que os olhos já não podem ver, coisas que só o coração pode entender..."

Ela não queria entender. Regina só queria sentir. Sentir as águas geladas baterem em suas pernas, cobrirem seus pés que levemente afundam na areia quase movediça da praia.

Regina sentia que o mundo era dela e que, apesar de todas as desilusões, ainda estava viva e precisava cuidar de seu bem mais precioso. Regina pensava, andava, imaginava e se questionava. Uma nostalgia das bonecas e dos programas de tv que assistira quando criança pairava sobre seus pensamentos. Seu primeiro beijo, sua primeira noite de amor, sua primeira noite de solidão. Lembrava de seu riso mais estridente, seu choro mais comovente e seu olhar mais penetrante.

Ela era assim, olhava para o azul-infinito do céu e sentia o contraste no azul-misterioso do mar. Era um azul que a hipnotizava e a chamava, que cobria o fundo de seus olhos, e escuro. Escuro e indecifrável.

O sol a iluminar tudo ao seu redor e seu íntimo a se manifestar no paradoxo do praia: o dia tão quente que a obriga a entrar na água tão gelada. O corpo tão sedento por calor que buscava refúgio na frieza de seus sentimentos.

Regina adorava o Verão, mas não o Verão carioca de noventa e sete graus. Ela gostava do calor que produzia em seu coração e de observar o crescimento das coisas ao seu redor. No verão as pessoas são mais verdadeiras, são mais nuas, são mais transparentes mesmo em contato com o amargo gosto do sal colado no corpo.

Agora era o fim de uma temporada. O odor intrépido da mareisa embrulhava o estõmago externando tudo o que havia de podre dentro dela e anunciando que agora todo o mau-cheiro deveria dar lugar ao Outono queé a estação onde caem as pétalas e o orgulho da alma.

E naquela época, a brisa do mar trazia mais saudade. Saudade do outro e saudade de si mesma. Era a despedida de si mesma que só iria ser encontrada depois de um ano, depois que dominasse o fenômeno da Translação. É como se a vida primitiva e crua desse lugar à vida cotidiana e pós-moderna de sempre. Cansava-se, mas alegrava-se ao saber que ainda tinha o resto do dia pra percorrer o calçadão, tomar uma água de côco e bater palmas para o pôr-do-sol no Arpoador.
Resumira-se no gosto doce da nostalgia na boca e na vitalidade de curtir algumas horas da mais inocente solidão permeada pela mais refrescante saudade. Esta que refresca a alma e aquece a vida.

Sentou-se nos mini-paralelepípedos que fromavam com as cores preto-fosco e branco-acinzentado, ondas quase iguais as do mar, mas que estavam mais perto e queimavam com os raios ultra-violetas. Já o azul do mar era gelado e qualquer raio de calor seria impenetrável em suas gélidas águas, a não ser o poderoso calor humano.

Ao esperar a última chuva do verão para renovar e lavar seus sentimentos mais antigos, Regina seguia a calçada conhecendo e desvendando sua essência e sua maré...

"A promessa de vida pro meu coração..."

Agonizando


Bem-aventurados os escritores acadêmicos!!
Bem-aventurados os leitores das referências bibliográficas complementares!!
Bem-aventurados os que inserem citações em seus textos!!
Bem-aventurados os que elaboram projetos na universidade!!
Bem-Aventurados os seguidores do teatro do Absurdo!!

Por fim, bem-aventurados os que não têm produção literária.

Catarse é uma coisa que machuca demais!!

quinta-feira, dezembro 13, 2007

Hands Clean

What part of our history is reinvented and under rug swept?
What part of your memory is selective and tends to forget?

Deveria ser trilha sonora de Eternal Sunshine (Brilho Eterno de uma mente sem lembranças)

Às vezes a vida é assim...às vezes os relacionamentos são assim...
Quando menos se espera, já se esqueceu...Quando a lembrança chega, já ativam os anticorpos da indiferença!!

O problema é quando se esquece fora do tempo...quando se esquece algo que não deveria ser esquecido...

Reinventamos nossas vidas, mudamos nossa alma externa, amadurecemos, construimos, mas a base está sempre lá esquecida, abandonada num baú que não ousamos abrir e não ousamos mostrar pra ninguém...

Não pelo lema "meu passado me condena", mas pelo lema "meu passado me revela" E esquecemos que o passado pode ser positivo se aprendemos com ele...

Mas nem damos confiança, nem ligamos, assumimos uma postura pós-moderna e seguimos em frente, mesmo com o gosto amargo da nostalgia flagelada, do esquecimento proibido, da lembrança esquecida e nunca remexida.

E todos os resquícios de sentimentos são varridos pra debaixo do tapete...e assim vamos seguindo nossas vidas sem abrir o sótão da alma....onde guardamos as coisas que um dia nos pertenceram e nos fizeram felizes, contentes, mas que já esquecemos, ou que já não mais queremos lembrar pelo sabor da memória que temos ou tivemos de enfrentar...

Traição


Através de sentimentos vãos
Mata-se apenas por traição
Vulnerável alma aberta
Propicia a morte mais completa
Que perante o choro escuro e noturno
Fere nosso passado e elimina nosso futuro

Eterno Amor




E mais um conto méla-cueca!!! [Com direito a final alternativo!!]

Preciso parar com o sentimentalismo!!

Trilhas sonoras recomendadas:

Joy Ride - Mariah Carey
Sem Ar - D'Black
Tears in heaven - Eric Clapton

* Só não ponho Endless Love porque iria parecer telemensagem...

Eterno Amor


“Amar-te é como sentir o paraíso”. Estava ali naquele quarto jovial. Janela aberta, brisa noturna, lua cheia e pensamentos felizes ao ler tal frase na capa de um álbum de fotos listrado. Letícia estava deitada na cama já de olhos fechados enquanto Lucas, ao seu lado, sentado numa cadeira azul-bebê acolchoada, contemplava o amor de sua vida. O corpo, o rosto, o cabelo, a boca...Cada traço de Letícia atraía Lucas. Da simples bochecha branquinha até os fartos seios de sua amada. Lembrou-se que tinha um ar adolescente e apaixonado toda vez que via Letícia nos corredores da faculdade. Fazia de tudo para aproximar-se dela, para conquistá-la. Sondava sua paquera, procurava razões e pretextos para esbarrar nela e trocar olhares. Apenas olhares. Sentir seu coração palpitar, sua boca secar, suas mãos suarem, seu corpo tremer. Até que um dia conseguiu. Conseguiu conhecer a pessoa que mudaria sua vida e mexeria com seus sentimentos mais íntimos de uma maneira que nunca tivera experimentado.

Um amigo em comum apresentara um ao outro numa festa. Sentaram na varanda perto de uma piscina e conversaram por horas. Descobriram que quase nada tinham em comum, mas por nada no mundo sairiam daquele lugar, daquela conversa, da vida um do outro. Sentiam-se como se já se conhecessem a anos, ou melhor de vidas passadas. Ele não poderia perder a oportunidade de lançar seu charme adolescente naquele momento tão especial. Lucas, galanteador e destemido, sem perder a doçura de um jovem, sugeriu que Letícia era em potencial sua alma gêmea. “Não acredito que eu estou aqui com você agora, olhando o céu estrelado e ouvindo sua doce voz. Já sonhei com isso antes” E Letícia encantada, mas não a ponto de se entregar, retruca “Nossa! Que coincidência!” E Lucas “Coincidência não. Destino” Letícia se fazendo de difícil, indaga “Será?” E Lucas responde “Certeza. O destino nos quis aqui. Quis que nos encontrássemos. Aceite menina. O destino nos escolheu”. Um minuto de silêncio diante dos dois e antes de levantar-se, Letícia finaliza “Não é porque o destino nos uniu que garante que ele tenha acertado”.Lucas não sabia distinguir seus sentimentos perante aquela situação. Era um misto de perplexidade e encantamento. Estava certo de que Letícia seria a mulher da sua vida. Letícia tinha um olhar doce e desafiador ao mesmo tempo e Lucas não conseguia resistir. Por mais que tentasse, Letícia era o tema de todos os seus pensamentos. Sentia que tinha algo de misterioso, de oculto, de único naquela jovem menina. Estava disposto a descobrir, a participar, a apoiá-la e a amá-la.

Daí por diante foram só investidas. Lucas cercava Letícia em todos os cantos da faculdade. Até passou a ler um pouco mais sobre História da Arte para impressioná-la. E ela fingia que não percebia o esforço que ele fazia para conquistá-la, mas no fundo, adorava toda aquela situação, porém sabia que não era o mais certo a fazer. Seu coração estava fechado pra balanço. Ninguém soubera de nenhuma decepção amorosa ou algo que a fizesse ter o coração fechado tão jovem. Mas Letícia não era uma moça amargurada e recalcada. Muito pelo contrário, ela era feliz e se sentia feliz e por mais que parecesse frágil, não tinha medo de se apaixonar
....

Lucas sempre foi um apaixonado. Pela vida, pelos amigos, pela família, pela simplicidade, por gestos e até pela matemática. Matemática do amor. Era um rapaz nobre, gentil e carinhoso. Demonstrava todos os seus sentimentos com intensidade e vida. Não era desses que tinham medo de tudo, do que os outros pensariam, das conseqüências de seus atos. Sempre brincalhão e de bem com a vida, ele conseguia tudo o que queria com honestidade e gentileza. Um sonho de menino. Conversava com os idosos e com as crianças; e de vez em quando era surpreendido conversando com animais e até plantas. Apaixonava-se fácil demais, mas não pela pessoa mais fácil. Gostava de dedicar-se exclusivamente a uma única pessoa, a uma única paixão. Foi aí que encontrara Letícia.

Letícia se parecia muito com Lucas. Era intensa e concentrada em tudo o que fazia. Apesar de alguns problemas de saúde até mesmo hereditários, era completamente apaixonada pela vida. Tinha um ar misterioso e jovial. Parecia uma princesinha num corpo de mulher. Sempre reparara em Lucas na faculdade, mas era tímida demais pra demonstrar o que sentia. Certa vez, pedira até para um amigo em comum convidar os dois para uma festa e apresentar um ao outro. Quando o conheceu ficou radiante e confirmou todas as coisas boas e apaixonantes que sempre pensara sobre ele. Lucas era mais encantador do que ela esperava. Resolveu se fazer de difícil, mas daí para um romance era só questão de tempo.

Lucas mandava flores, bombons e declarações de amor mesmo sem estar namorando Letícia, que decidiu, depois de um mês, não fazer mais jogo duro e assumir sua paixão pelo lindo rapaz. Então foi assim, declamando um poema de Vinícius de Moraes em pleno auditório da faculdade que Letícia se declarou para Lucas. Os olhos dele brilhavam de felicidade. Era o amor transbordando. A partir daquele momento, sentia que sua vida finalmente tinha encontrado um amor verdadeiro. E ela, mesmo vermelha de vergonha, percebeu o quanto Lucas completava sua vida e a deixava mais colorida do que seus trabalhos de Arte. Era um amor regado à felicidade e paixão. Harmonia e emoção. Um amor cheio de cor e transformação.

Lucas passava a maior parte de seu tempo com Letícia. Chegou até a pedi-la em casamento. Mas não passava de uma brincadeira, mais uma de suas brincadeiras que deixavam Letícia ainda mais apaixonada. Lucas freqüentava sua casa e passavam horas em seu quarto jovial. Todo rosa e cheio de gravuras e pinturas, Letícia se sentia aceita toda vez que recebia um elogio de Lucas, mesmo sabendo que Lucas a amava mais do que devia e mesmo sabendo que ele não entendia quase nada sobre artes e decoração.

Todas as noites, Lucas invadia o quarto dela pela janela escondido dos pais e ficava horas olhando para sua bela adormecida. Ouvia sua respiração, suspirava em seu ouvido, deslizava levemente sua mãe no rosto alvo e macio de Letícia, cobria seus pés em noites frias até também adormecer na cadeira acolchoada que Letícia deixava ao seu lado sabendo que ele viria na noite seguinte. Era um ritual lindo e amoroso. O Romeu observando sua Julieta adormecer.

E o amor dos dois só ia crescendo mais e mais. E numa dessas noites, Lucas não estava mais tão feliz quanto antes, mas resolveu ir até o quarto de sua “Julieta”. Entrou pela janela e analisava cada canto do quarto jovial. Sentou-se na cadeira azul-bebê acolchoada e tinha pensamentos felizes. Rosto pálido, mas pensamentos felizes. Parou de lembrar-se de toda sua trajetória com Letícia. Olhou para o quarto rosa, para um desenho de um coração com duas letras “L” no centro. “Lucas e Letícia”, pensou. Contemplava Letícia deitada, pois tudo nela o atraía. Lágrimas caíam de seu rosto, mas não pronunciava uma única palavra. Mais uma vez era o amor transbordando, mas dessa vez, transbordava porque não tinha lugar pra ficar. O coração não suportava tanto amor. Ele achou melhor devolver todo o amor que grandemente guardava. Sentia-se desmoronado, destruído. Olhou em baixo da cama, pois sabia que tinha uma caixa com um lindo álbum de fotos listrado com retratos dos dois. Riu. Letícia adorava tirar fotos. Sorriu. Ouvia o silêncio do quarto. O silêncio entre os dois. Tão pertos, mas tão calados. E, com os olhos marejados e cheios de lágrimas, beijou o rosto gelado de sua amada. Entendeu que amou o suficiente, e amou demais. Apesar de não se conformar com a crise de asma que levou sua namorada a morte dentro de sua própria casa, dentro de seu quarto, no próprio ninho de amor, sabia que precisava seguir em frente.

A agência funerária chegou para tirar o corpo do quarto e ele seguiu seu rumo. Jamais amará outra pessoa da mesma forma que depositou todo seu amor em Letícia. Jamais esquecerá Letícia...”Amar-te é como sentir o paraíso”. Ele talvez não soubesse realmente o que aquilo significava, mas tinha certeza de que a partir daquele momento Letícia saberia
....

Final alternativo

E o amor dos dois só ia crescendo mais e mais. E numa dessas noites, Lucas não estava mais tão feliz quanto antes, mas resolveu ir até o quarto de sua “Julieta”. Entrou pela janela e analisava cada canto do quarto jovial. Sentou-se na cadeira azul-bebê acolchoada e tinha pensamentos felizes. Parou de lembrar-se de toda sua trajetória com Letícia. Olhou para o quarto rosa, para um desenho de um coração com duas letras “L” no centro. “Lucas e Letícia”, pensou. Contemplava Letícia deitada, pois tudo nela o atraía. Lágrimas caíam de seu rosto, mas não pronunciava uma única palavra. Mais uma vez era o amor transbordando, mas dessa vez, transbordava porque não tinha lugar pra ficar. O coração não suportava tanto amor. Ele achou melhor devolver todo o amor que grandemente guardava. Sentia-se desmoronado, destruído. Olhou em baixo da cama, pois sabia que tinha uma caixa com um álbum de fotos listrado com retratos dos dois. Riu. Letícia adorava tirar fotos. Sorriu. Ouvia o silêncio do quarto. O silêncio entre os dois. Tão pertos, mas tão calados. Letícia então, acordou. Não conseguia dormir. Olhou em baixo da cama, pois sabia que tinha um álbum de fotos. Viu as fotos. Riu. Lucas adorava tirar fotos. Chorou. Caiu em prantos de repente, pois se lembrou do trágico acidente que marcara sua vida e ferira seu coração para sempre. Não entendia como em apenas um segundo sua vida pudesse mudar totalmente. Como um acidente tão trágico pudesse acontecer assim. Mas o que mais doía era saber que Lucas teve uma batida de carro quando estava indo à sua casa, ao seu quarto. Ao ninho de amor. Leu a frase que ela própria escrevera na capa de seu álbum: “Amar-te é como sentir o paraíso”.Sentia-se num inferno, mas sabia que Lucas estava no paraíso e que enfim sabia como é o real sabor do amor. Amor que ele sentia por ela.

Tomou dois comprimidos e deitou-se. Sabia que não deveria deixar ninguém se apaixonar por ela. Lucas presenciara tudo e confortava Letícia com sua presença sobrenatural. Beijou o seu rosto, e assim, sua alma foi liberta. Letícia sonhara com Lucas todas as noites desde então. Sentia-o presente mesmo não sabendo explicar...

Saudades de pré-vestibulando

Não fiz pré-vestibular!!!

Me bateu uma saudade do que não vivi...

Mas como o poeta finge que é dor a dor que deveras sente...hehe

Tá aí, momento nostalgia humorística...kaka

saudades cataclismáticas
saudades arbóreas
saudades coníferas
saudades protozoáricas
saudades metil-propânicas
saudades subordinadas
saudades lexicais
saudades exponenciais
saudades centrífugas
saudades surrealistas
saudades mitocondriais
saudades iluministas
saudades organogramais

domingo, novembro 25, 2007

Atualização??


Blog pede atualização; atualização pede palavras; palavras pedem ideías; idéias pedem inspiração; inspiração pede tempo; tempo só pede, mas seu desejo nunca é atendido.

O tempo traz promessas e assim como os políticos, eu prometo atualizar essa budega aqui!!
as soon as possible.
Juro!

Vai um início...

"Se no amor sou uma catástrofe,
Na vida sou Marlon Brando!"


It's time to Kill Bill

sexta-feira, setembro 07, 2007

Primeiro Encontro


E aqui nessa lanchonete onde nunca estive antes, sento-me à sua frente. E posso olhar nos seus olhos, desenhar seus traços, sentir seu hálito, perceber às sombras de sua face quando a clara e imponente luz do sol abre a cortina de escuridão que envolve seu rosto, ou que envolve meus olhos. Não sei se o que vejo em você é o que você realmente é ou se és o produto embaçado dos meus olhos que refletem as remotas lembranças da minha mente.


Sei que mesmo com você aqui tão perto, representando um novo amor, uma nova atitude de vida, uma nova visão de sentimentos, não consigo parar de pensar no ultrajado e velho amor que estivera acostumado e submetido por anos. Nossos sentimentos e nossos corpos conversando da maneira mais inocente, buscando e reconhecendo o olhar do outro na esperança de que essa interação sempre se repita, abrem espaço para minhas lembranças obsoletas, para minhas sensações já experenciadas.


E, mesmo com você perto de mim não consigo esquecer aquela, não consigo me desvencilhar de cenas de amores anteriores. E, ao abrir a boca pra votar na nossa música-tema de casal recém-apaixonado, é inevitável não recordar. Meu momento déja vu é embalado pela música do Djavan. déja avant. E assim tenho certeza de que "é doce morrer nesse mar de lembrar e nunca esquecer" e que "mesmo com toda riqueza dos sheiks árabes, não te esquecerei um dia. Nem um dia"


Sorrio. Mas não pra você. Você quer passar a tarde toda cantarolando Djavan e eu não te impeço porque ainda quero me lembrar do amor que já vivi antes de você. Mas que um dia vai passar quando esses nossos encontros se repetirem e quando meu olhar estiver disposto a te decifrar e, então, entenderás que, no silêncio, você verdadeiramente determina o som que embala nosso amor.

quarta-feira, julho 18, 2007

O Lugar


O Lugar

E como o vento que sopra e leva consigo tudo o que há de efêmero em mim
Você, o farol que pensei que me guiaria pra sempre, foi levada
Agora sou sem rumo, como o trajeto do vento
Em todos os lugares, mas lugar nenhum

É possível esquecer sua face, mas impossível esquecer nosso calor, nossa vida
E o tempo que passei em silêncio apenas ouvindo seu coração pulsar
Ouvir seu coração pulsar como toda a vida que existia em nós
Os momentos, as conversas, a paixão, as confissões, o lugar

O lugar em que você me permitiu entrar
Onde ouvi sua voz suave a me chamar
A me ouvir, a me cantar, a me sentir
A me amar

Onde entrei, fiquei e sempre ficarei
Onde tantas vezes eu chorei
Onde tantas vezes eu sorri
Onde tantas vezes procurei abrigo e deitei

E agora o seu coração cigano partiu com o vento
Mas seu perfume emana no lugar.
E na escrivaninha há uma caixinha de lenços
Esperando ansiosamente a primeira lágrima rolar.




** Quem diria hein!!
Adilson Junior arriscando na poesia...kaka**
Ferreira Gullar que se cuide...hehe

Limpeza


"Preciso eliminar o lodo que há dentro de mim! Que transborda em meu coração em forma de pétalas de rosa vermelha. O amor que eu sentia já não estava mais ali. A lágrima que caíra, era reflexo do que nunca senti. Buscava a libertação, de ti, de mim mesma, do amor. Ao mesmo tempo que corria em busca do amor, tornava-me mais longe dele. Tropecei nos enganos, nas mentiras, porém foi a verdade que me fez cair. As certezas me assustam, o medo é confiável!

Aquela camada de lodo ia aumentando e me tomando por dentro até me sentir sufocada, afogada, morta. A vida era uma casca, uma cápsula, um retrato, uma porta onde o amor bate, mas não entra. O amor não é capaz de limpar o lodo, só a água, só a água, só a água.

E a angústia ia me sufocando até eu acordar sozinha numa cama de casal, na minha casa, só. A solidão é minha única companheira. A companheira mais infiel. Espantada, olhava o lindo jardim pela janela, tão lindo, tão simples. Queria que minha vida fosse assim. Queria que amar fosse assim. Fui tomar banho gelado para não pensar em meus sentimentos e fui acreditando que a água ia curar esse tormento, esse amor. Ou então, ia me ensinar a amar e nunca mais sofrer.

Tola sou eu! A água apenas alivia. Não liberta, não redime!"

terça-feira, maio 01, 2007

Casa Comigo

"Casa comigo que eu te faço a pessoa mais feliz do mundo.
A mais linda, a mais amada, respeitada, cuidada ...
A mais bem comida.
E a pessoa mais namorada do mundo e a mais casada.
E a mais festas, viagens, jantares, ...
Casa comigo que te faço a pessoa mais realizada profissionalmente.
E a mais grávida e a mais mãe.
E a pessoa mais as primeiras discussões.
A pessoa mais novas brigas e as discussões de sempre.
Casa comigo que te faço a pessoa mais separada do mundo.
Te faço a pessoa mais: solitária com um filho para criar do mundo.
A pessoa mais: foi ao fundo do poço e dá a volta por cima de todas.
A mais reconstruiu sua vida.
A mais conheceu uma nova pessoa,
A mais se apaixonou novamente...

Casa comigo que te faço a pessoa mais: "casa comigo que te faço a pessoa mais feliz do mundo".

Texto da peça Regurgitofagia - Michel Melamed (porque quando eu crescer, quero ser igual a ele!!)
http://www.youtube.com/watch?v=UfskBanPSxw

domingo, abril 29, 2007

Um dia frio, um bom lugar pra ver um filme


Saiu na chuva. Dobrou a esquina. Frio. Arrepio. Locadora vazia. A escuridão e a falta de transeuntes pelo asfalto batido na frente de sua casa remetia à sua falta de vida e a deixava nervosa, mas dava um ar de felicidade. Felicidade não. Tranquilidade é melhor. Nunca soubera o que era ser feliz. Escolhe filmes de terror. Seus olhos não percorrem a sessão de românticos. O que os olhos não vêem, o coração não sente.

Filmes de ação são para homens e filmes água-com-açúcar são para damas indefesas. Como queria ser uma dama indefesa... "Pára, Renata. Pense em si mesma. Controle-se para não sofrer mais." Chuva caindo, gotas geladas escorrendo por seus cabelos negros e molhados. A pele áspera e alma rígida. Sentia-se como um dos encartes dos filmes da pequena locadora. Filmes da sessão de terror. Os mesmos que ela escolhera

Decidira por fimes europeus, era mais chique. Passaria um feriado intelectual. Mas já tinha visto todos os europeus da locadora. Supremacia americana. Não teve para onde correr. E lá estava ela, em frente ao seu maior medo: a sessão de românticos. Eram todos muito lindos e felizes nos posters. "Come on, Renata, é apenas ficção". Não para ela. Tentava correr, mas percebera que o singelo rapaz da locadora olhava para ela na expectativa de que ela escolhesse logo o filme. Pegou o pirmeiro filme que viu. Droga. Romântico. Pagou. Obrigado. De nada, senhorita. Foi pra casa na chuva disposta a entregar o filme sem vê-lo!

O frio se intensificava e o sono não vinha. Deixou o chocolate quente em cima da mesa e foi até o DVD. Depois de 5 minutos colocou o filme para ver. Após 90 minutos, em meio às lágrimas, surge um sorriso. Agora sim de felicidade.

Pois é... Hollywood deixara resquícios de felicidade!!

Alvinegro


Jogo Botafogo contra Flamengo é sempre uma emoção, e, apesar do empate...o Fogão está mostrando a que veio...
Te cuuuida Julio César...hehe

O time ainda não está muito bem na defensiva, mas nada que uma boa ligação pro técnico não resolva. Qual o número dele memso?

Enfim, neste momento, você que está lendo, fique de pé e ponha a mão no coração!!
E leia em voz alta tal poesia:

Botafogo, Botafogo
Campeão desde 1910
És herói em cada jogoBotafogo,
Por isso que tu és
E hás de ser
Nosso imenso prazer
Tradições,
Aos milhões tens também.
Tu és o glorioso
Não podes perder,
Perder para ninguém
Em outros esportes
Tua vida está presente,
Honrando as cores
Do Brasil e da nossa gente
Na estrada dos louros,
Um facho de luz,
Tua estrela solitária
Te conduz

sábado, abril 28, 2007

Soneto 116


Soneto 116

"Ao casamento de almas sinceras
não haja oposição. Amor não é amor
se quando encontra obstáculos se altera
Ou se vacila ao mínimo temor.
Não. Amor é uma marca fixa
Que encara a tempestade com bravura.
É a estrela para qualquer barco à deriva,
Cujo valor é desconhecido, apesar da altura.
Amor não teme o tempo, muito embora,
sua foice não poupe a mocidade.
Amor não se transforma de hora em hora
Antes se afirma para a eternidade.
Se há erro nisto e assim me for provado,
Eu não sou poeta, e ninguém nunca teria amado"

William Shakespeare


*Quem discorda??
hehehe


116 (Original)

Let me not to the marriage of true minds
Admit impediments. Love is not love
Which alters when it alteration finds
Or bends with the remover to remove.
O no! it is an ever-fixed mark
That looks on tempests and is never shaken;
It is the star to every wandering bark,
Whose worth’s unknown, although his height be taken.
Love’s not Time’s fool, though rosy lips and cheeks
Within his bending sickle’s compass come:
Love alters not with his brief hours and weeks,
But bears it out even to the edge of doom.
If this be error and upon me proved,
I never writ, nor no man ever loved.

William Shakespeare

Amor no Cangaço


"Se eu soubesse que chorando/ empato a tua viagem/ meus olhos eram dois rios/ que não te davam passagem."

[Lirismo de Volta-Seca, cangaceiro do bando de Lampião]

Ódio


Rua escura. Bar à frente. Bêbados figurantes. Taxi Driver. Abre as portas do veículo amarelo-ovo e dirige-se ao recinto degradável. Obesidade mórbida de cabelos escassos e branco-acinzentados a ingerir líquido amarelo-mijo portando um canudinho. Rosto conhecido. Nojo. Repulsa. Raiva. Ódio. Missão. Quem seria tal abominável ser que me desconcentrara em minha arte de chutar chapinhas pela escuridão da madrugada? Por que construo sentenças tão longas? Porque longa é a duração do meu rancor.

Mendigos nas ruas. Luzes apagadas. Jukebox alta. Homem grande de canudinho. Recipiente com borbulhas. Líquido gelado. Sangue quente. Bolso cheio. Cheiro de aço. Metal no bolso. Calçada do bar. Olhar do homem. Meu olhar. Revólver no bolso. Arma na mão. Não é um duelo. Barulho. Estrnodo. Copo quebrado no chão. Líquido amarelo sem borbulhas a escorrer pelo ralo. Canudinho sujo aos meus pés.

Devaneios a partir da feijoada


Domingo foi dia de Feijoadaaaaaa!!!
Não era para eu gritar de felicidade, já que não como feijão.
Sim, sou dessa geração anti-saúde que não liga para corpos malhados, bíceps, tríceps definidos...
Enquanto os músculos do PÂNCEPS estiverem sendo malhados (alimentação define-se como comida e não como anabolizantes). Retomando...enquanto tais músculos estiverem bem alimentados, estou feliz!!
Que malhemos o cérebro!!

Fiquei sabendo que um menino caiu e quebrou a costela porque era magro. Imaginem só o Silogismo:


Ser magro é prejudicial à saúde.
As pessoas das fotos e das propagandas do cigarro são magras.
Logo, o cigarro é prejudicial à saúde!!

Agora sim...Daí é quem vem esse conceito. O que é mesmo câncer de pulmão? Deve ser uma dessas famosas viroses...

Digressões à parte. A feijoada estava boa (Graças à avó de Erika!! eeeeeeee). Bati dois pratos de pedreiro, não de mestre-de-obras.
E descansei brincando de adedanha...haha (Criança feliz)
Claro que ninguém me fez acreditar que Hebe Camargo serviria como resposta na categoria atriz com letra H.
Lutei até o fim contra isso. É uma ofensa aos estudantes de Artes Cênicas. Talvez não fosse ofensa para os políticos que são estudantes de Artes Cínicas!! (hãn hãn? Entendeu o trocadilho?)

hahahahahahahahah

Bom, acho que isso tudo foi pra agradecer a avó de Érika pela tarde de feijoada.
No mais, olha o Lula indo e eu aqui...paradinho...perdido em meus devaneios.

E tenho dito...

quinta-feira, abril 05, 2007

Conto - Coração Alerta




Ae, Galera!!

Mais um conto de minha autoria...Dessa vez, bem diferente do "À Flor da Pele", porém o mesmo tema : o amor!!

Trilhas Sonoras recomendadas:
Começo, meio e fim - Roupa Nova
Sem Ar - D'Black
Eu sei - Papas na Língua

Coração Alerta

Gisele queria se apaixonar novamente para dar sentido à sua vida. E entrou de cabeça ao identificar em Zurawsky uma espécie de salvador que poderia simplesmente ter chegado de canoa com uma bóia na mão, no mar aberto em que estava sua vida, quando ela, já sem forças, acreditava que iria se afogar. Não podia aceitar que algo bom demais acabasse daquela forma, mas precisava ser prática e entender que aquela sociedade, que denominara amor, havia terminado. “Existe vida após amar demais?”, pensou, já de maiô, diante do abismo, em frente a um mar agitado, que parecia espancar as pedras. “Sim, existe!”. E se atirou.
...

Sentada na cozinha de casa, olhando para as paredes de azulejo branco, Gisele sentia-se vazia e chorava muito. Aos prantos, cortava cebolas para parecer que seu choro era apenas biológico e não envolvia sentimentos, mas não conseguia enganar nem a si mesma. Por impulso, resolveu que sairia daquela tortura. Suas lágrimas grossas incontroláveis contrastavam com a linda decoração dos azulejos de sua cozinha. Empurrou a mesa e quis sumir dali.

Era outra mulher. Vestida para matar. Aquela moça toda recatada e comportada usava agora maquiagem de travesti, usava espartilho e minissaia. Gisele se tornara uma predadora. Decidida e independente. Mas no fundo era apenas uma mulher traumatizada, dessas que tem um ar felino e mostram as garras disposta a atacar, mas que em determinado momento de piedade, diminui as garras e deixa a presa ir embora. Assumia uma postura baixa, fazia e dizia o que desse na telha. Mulher impulsiva cansada de toda a sofisticação que forjara para si mesma. Agora mostrava o que achava que era sua verdade e sua personalidade. Definitivamente, não merecia tudo o que Pedro tinha feito.
...

Pedro ouvia rock progressivo no último volume em seu mp3 dado por Gisele devido à sua paixão por música. Três anos mais novo que Gisele, Pedro era muito imaturo e infantil. Nada mais era do que um menino mimado que passava horas no banheiro passando gel no cabelo e idolatrando seu penteado moicano que fazia sucesso com as garotas. Pelo menos, fez sucesso com aquela que no futuro, seria sua esposa. Entrou no ônibus. Encontrou um amigo e os dois conversaram banalidades. Nunca saíra nada inteligente da cabeça loira de Pedro. Adorava brincar com os passageiros que por sua vez, adoravam zombar da aparência grunge e moderninha do rapaz. E, como não agüentava zuação, encolhia-se sem graça em seu banco desconfortável. Tinha tudo para ser um bad boy em seu bad-day-hair, mas Pedro era feliz, pois tinha a aparência que pedira a Deus. Estilo. E nada mais importava.
...

Eram lindos e jovens. Sabiam que tinham uma vida inteira pela frente. Gisele pegou no pé de seu amado, pois chegara atrasado para a feira literária onde ela iria expor seus poemas de amor. “Onde você estava, Zé Gotinha?” Perguntava ela rindo e zombando do cabelo de seu amado. “Engarrafamento terrível!” Respondia ele. “Sei...sei...” desacreditava ela. Pedro odiava poemas. O que para Gisele era uma livre expressão de sentimentos mais íntimos do ser humano, para Pedro eram apenas fragilidades remexidas em versos abstratos que ninguém entendia. E quando se propunha a entender, falava um monte de bobagens que ela educadamente fingia concordar.

Pior do que ele, eram suas concorrentes de tenda. Sabiam que Gisele era boa no que fazia e por isso despertava inveja nas outras estagiárias que nada tinham a acrescentar naquela exposição. Gisele tinha um currículo invejável. Havia escrito um livro aos 17 anos e seu sonho era ir ao programa do Jô Soares. Um dia realizaria. Enquanto isso, as outras poetisas-múmia entortavam o nariz e reclamavam: “A mesa não é só pra você, queridinha, trate de diminuir isto”. Justo ela que, tímida, escolhera um espaço irrisório, enquanto as outras disponibilizavam exemplares de forma que ocuparam muito mais espaço e ninguém reclamara. Gisele e Pedro: amigos naquela época que já se entendiam com o olhar. Ambos odiavam as pessoas pelo tom de voz: se a pessoa falava muito grosso, concluíam que não prestava; se falava pausadamente ou muito suave, como aquela mulher, era falsa. E quase nunca se enganavam. Depois da grosseria, Gisele, sem dizer uma palavra, recolheu os livros e foi embora sem dar explicações.

Correram livres, segurando, cada um, a aba da sacola que carregava os livros. Pedro de jeans desbotado, camisa listrada, tênis grandes, brinco na orelha esquerda, pulseiras e fone de ouvido. Gisele de vestidinho florido e sapatinho vermelho combinando com a armação de seus óculos. Já saindo da feira, ela parou diante da feira e desferiu o dedo do foda-se para o evento. Depois, passara a tarde ao lado de Pedro e só não viram o pôr-do-sol porque ele teve de buscar sua namorada para sair à noite. Sim, Pedro tinha uma namorada e atrasou-se por causa de Gisele. Ela estava feliz por descobrir que ele a amava, mas ainda não sabia. E, cedo ou tarde, seria dela.
...

Andava devagar de propósito, não sabia porquê, mas não queria voltar para casa. Tentaria retardar o quanto pudesse. Sua cabeça doía. Tinha uma ferida e umas gotinhas de sangue desciam discretamente de sua cabeça. Não queria lembrar o que causara aquilo, pois doía mais no coração do que na cabeça. Pedro entrou em um boteco e comprou uma garrafa de refrigerante. A cada gole, tentava se convencer de que era uma dose de felicidade, uma injeção de ânimo. Era muita pretensão tentar ser feliz. O que queria mesmo era sair daquele estágio de tristeza e voltar à normalidade. “Ahhh”, refrescou-se com o líquido, que descia gelado pela garganta. E sentiu prazer em ser mal-educado, e arrotar enquanto passava no meio de duas senhoras.
...

Enquanto fitava, com olhar matador, o garçom que paquerava há algum tempo, Gisele bebeu o capuccino de uma tacada só e, tal qual a gata selvagem que precisava ser, passou a língua nos lábios para tentar ser provocante e limpar o bigode que a bebida deixara. “Estupendo!”, exclamou, maliciosa, ao deixar uma nota em cima da mesa e sair decidida, sem esperar pelo troco. Vitoriosa, mas envergonhada, pois algo dentro dela dizia que aquela “femme fatale” não era realmente ela. Resolveu ir ao dentista.
...

Pedro se descobriu apaixonado por Gisele quando fumavam um baseado embaixo da cama dela, enquanto seus pais trabalhavam. O intuito dela era atiçar, mas não beijar por maldade. Só que não agüentou estar frente a frente com o hálito de quem amava e resistir. Ela fingiu que não queria, mas ele esmagou sua boca com força até que ela cedesse. Achou que estava irremediavelmente apaixonado e realmente estava. Eram o casal perfeito, daqueles de encher os olhos e causar inveja aos admiradores do gênero comédia romântica americana. Abandonara um namoro de quase dois anos para ficar com Gisele. Descolados, antenados e cruéis, não poupavam ninguém. De quantos gays estavam na fila do cinema à vestimenta da adolescente de chapinha no cabelo que mascava chiclete e mais parecia estar ali para fazer programas do que para esperar o namorado na porta do banheiro do shopping. Eram sarcásticos, mas nem por isso, menos divertidos. Eram feitos um para o outro, pena que não sabiam que toda essa suposta felicidade infinita estava a ponto de acabar.
...

No consultório, passou a tecer comentários espirituosos sobre a teoria do caos, e se sentiu a rainha da cultura inútil. Tudo para impressionar o dentista, e provar, a si mesma, que era capaz de conquistar alguém. Só que se esqueceu de um pequeno detalhe: considerava a situação mais humilhante do mundo a de ficar de boca aberta diante de um dentista. Sentia-se vulnerável, principalmente se levasse a sério sua opinião de que a maioria dos médicos e dentistas são atraentes. O dentista, para descontrair, brincava e fazia perguntinhas as quais ela, se pudesse escolher, preferiria estar sepultada a responder, com aquela voz de bêbada de uma pessoa anestesiada. Só que, quando ele, com a mão enluvada, colocou o dedo em sua boca escancarada, sentiu uma imensa vontade de sugar aquele dedo grosso. Estava excitada. Ele nem era tão bonito assim, já passara dos quarenta –como denunciavam os fios brancos em seu cabelo–, exibia uma aliança grossa na mão esquerda e, o pior, só cumpria seu trabalho. Continuaria então, sem uma aventura de amor. E sem sexo.
...

Sim, quando disse que não a queria mais após tê-la desvirginado na lua de mel, Pedro não quisera ser mau caráter, só estava sendo sincero. E percebeu naquela hora que queria ser livre. Nada contra Gisele, mas era jovem demais para ter uma vida a dois. Ele, que dizia ser louco por ela, havia decepcionado a todos, inclusive a si mesmo. Não teria como anular o casamento, já que o ato sexual havia se consumado. A princípio, Gisele achou que se tratava de uma brincadeira e, só percebeu a gravidade, quando Pedro pegou as malas e jogou suas roupas de qualquer jeito. Justo ele, que havia prometido não magoá-la. Gisele sabia que ninguém pode garantir que nunca vai machucar outra pessoa, mas fez questão de esquecer porque queria acreditar no amor de sua vida. Sim, Gisele nunca se amou, só a Pedro. E agora ele saía de sua vida, apressado, e tropeçando no próprio cadarço sem se despedir. Da próxima vez, jurou a si mesma que se envolveria com um saci pererê. Pelo menos, se levasse outro pé no traseiro, faria questão de assistir ao tombo.

A vida de Gisele se dividia em antes, durante e depois de Pedro. Antes eram só sonhos e desejos de encontrar o príncipe encantado. Sentimentos suaves e gestos moderados a procura desse amor. E quando aquele que ela achava que seria seu príncipe chegou, quis bancar a princesinha sem passado e depositar todas as suas fichas em sua volúvel paixão cegada pela afobação de um falso sentimento. Seu trauma era perdê-lo. Mas o problema não era da princesa, mas sim do príncipe. Gisele se julgava esperta demais. Atiçava Pedro, mostrava o que sentia. Era pós-graduada na escola da vida, mas seu príncipe era apenas um jovem sedutor disposto a amar. Não tinha nem cavalo branco. Não conhecia o amor de verdade, mas Gisele fez com que ele acreditasse que ela poderia ser o amor de verdade de qualquer um. E foi assim até perdê-lo na noite de núpcias.

Fazia pose de vítima sem saber ao certo se era mesmo a desfavorecida e confusa da relação. Extremamente magoada, passava tudo para um papel na idéia romântica de ser descoberta após sua morte. Talvez isso desse sentido a sua vida. E tinha Isabelle, sua melhor amiga, que se propunha a ler seus sentimentos psicografados em caneta de tinta prateada num papel que mais tarde passariam para a frieza do Times New Romam nas caixas de e-mail. Era uma mulher ferida, uma avalanche de sentimentos contraditórios e incontroláveis.
...

“Gisa, a ficha caiu. Desculpe-me, não quero isso pra mim”. Gisele paralisada com a lingerie cor de vinho presenteada pelo amado e batom borrado de tórridos beijos, olhou para Pedro num misto de descrença e pavor. Soltou uma risadinha nervosa e disse: “Pedro, isso são horas pra brincar desse jeito?”. Não era brincadeira. Pedro com um olhar assustado reafirmava que era jovem e que não podia mais se envolver. “Estou sendo sincero com você, Gisa”. Pedro se deparara com uma mulher seminua e transtornada em sua frente que lhe atirou um gatinho de madeira que fazia parte da decoração da casa de praia. O gatinho acertou em cheio na cabeça dele, mas ele nem se importava. Queria mesmo era sair dali. E já ia saindo, com um galo na cabeça. Gisele sentiu-se culpada e num misto de piedade e paixão, foi acolher seu marido para ver se ele tinha se ferido. Obsessão. Pedro esquivou-se dela e correu porta do quarto a fora. Gisele jogada no chão implorava para que ele não a abandonasse. Em vão. Chorava, chorava e chorava. Lágrimas grossas. Foi o primeiro passo de sua degradação como mulher. Ouviu quando, esquecendo de amarrar o cadarço, Pedro caiu escada abaixo. Pensou em rir, mas não conseguia. Gisele nunca se amara. Só soube o que era amor de verdade quando o conheceu. Ele, nem isso.
...

As pessoas reagem de diversas maneiras a uma decepção. Umas se tornam suicidas, outras são só lamentações e outras são fortes adeptas do lema: Decepção não mata, ensina a viver. E nesse quadro, Pedro achava que se encontrava, mas, do seu ponto de vista, Gisele tinha mesmo se tornado uma “piranha”. Não se culpava de nada. Tinha sido franco e tinha consideração por ela. Consideração não é amor. Sentia que se levasse a mentira adiante, se tornaria um canalha, um mau caráter. E isso jamais. Já em casa, comendo pizza, bebendo pepsi com cachaça e assistindo a um programa de comédia sem ao menos soltar uma risada, a campainha tocou. Não queria atender e sua única companhia era seu cachorro Jimmy Hendrix. O cachorro não poderia atender, claro. Então, levantou-se, escondeu os restos de pizza e roupa suja espalhadas pela casa a fim de que o visitante inesperado não sentisse pena nem repulsa pela sua casa que nada mais era do que um reflexo de sua vida e seus sentimentos: uma bagunça. Abriu a porta e deparou-se com senhoras pseudo-simpáticas. “Testemunhas de Jeová”. “Foda-se”. Antes de fechar porta, percebeu que Jimmy Hendrix havia fugido. Soltou um palavrão para as idosas assustadas com a hostilidade do jovem rapaz e saiu para procurar seu cão temendo que fosse roubado por ser de raça. Mesmo sem saber qual era a raça. Assim era Pedro. Não se dava conta das coisas que o rodeavam, das pessoas que o rodeavam, dos sentimentos que o rodeavam. Chorou feito criança.
...

Resolveu que ia ter uma história de amor com o dentista. Acreditou no seu poder de sedução e na sua nova fase (de um eufemismo peculiar): mulher volúvel, e ligou para o dentista. Mandou flores apesar de ter se sentindo envergonhada por isso e marcou encontro com ele na praia. A mesma praia em frente a sua casa onde passara sua inesquecível noite de núpcias. Gisele estava provocante, de vestido preto meio transparente, sentada no balanço onde ela empurrava levemente seu amor à espera da chegada do pôr-do-sol. Queria que desse certo agora. Queria que seu encontro fosse perfeito. Ignorava o fato de que com toda a ventania da praia seu penteado pudesse se desfazer. Olhou mais uma vez o cartãozinho do consultório para não esquecer o nome do dentista.

Arnaldo era já um homem maduro. E, embora tivesse prometido a seus estagiários e sua secretária que não seria capaz de trair sua mulher e que nem pensava em ir ao encontro, ele foi. Confessou que cartõezinhos de duplo sentido eram o que o atraíam e por isso, suas promessas viraram ao avesso.

Quando Arnaldo chegou sem aquele jaleco branco, deixara de ser um grisalho charmoso e se tornara um velho de 80 anos. Gisele sentia-se patética e não parava de olhar pro colete de lã azul marinho de seu novo par. Ria por dentro. Risadas gostosas mesclando com aquela paisagem linda. Déja vu. Era de Pedro que ela se lembrava. Seus pensamentos eram involuntários. Resolveu aceitar o pedido do dentista para jantar. Queria sair dali, pois estava decepcionada ao constatar que não era indiferente ao local que passara os finais de tarde com seu ex-marido.

O jantar estava perfeito e Arnaldo era agradabilíssimo. O problema era com ela mesmo. Dispersa, impaciente e grossa. Fazendo o dentista passar vergonha e ficar acuado. Estava um pouco bêbada. Cuspiu vinho e falou bobagens. Gisele não queria estar ali com Arnaldo e sim com Pedro. E, enquanto degustavam a lagosta, começou a sentir coceiras e ficar vermelha. Era alérgica, mas não sabia. Correu para o banheiro e chorou desesperadamente. Molhava os braços e o rosto sem perceber que molhava todo o seu vestido. Para que foi inventar de comer lagosta? Apenas para mostrar sofisticação? Nunca fôra sofisticada quando estava com Pedro, mas agora queria se tornar outra pessoa. Queria apagar todo o resquício de sentimento e de convívio com Pedro. Jogou-se no chão do banheiro. A gerência estava a par do que estava acontecendo e, Arnaldo, constrangido, teve que acompanhar Gisele com o vestido pingando pelo restaurante sendo carregada por garçons, pois por causa da coceira, não conseguia nem andar. Seu vestido que era um pouco transparente estava encharcado e, mais uma vez, ela sentia-se uma idiota. Vinha na lembrança aquela cena em que também estava seminua quando quem ela mais amava detonou sua vida. Desmaiou.

Gisele acordou já medicada no hospital. Pediu desculpas e estava totalmente envergonhada. Arnaldo, um gentleman, a levou para casa sem dizer uma única palavra. Ele nunca mais tentaria cometer adultério e ela nunca mais voltaria ao consultório dele. Chegou em casa cansada e resolveu agir por impulso. Ligou para Pedro e disse que iria se matar, mas caiu na caixa postal. Não era chantagem. Não tinha nada a perder. Sempre fora exagerada. Enquanto esperava uma posição de seu ex-marido para saber como ele se sentiria com a bomba que ela acabara de lançar sobre a responsabilidade dele, entrou no “Messenger” e foi falar com uma amiga. E obteve a sincera resposta: “Gisa, você é egocêntrica porque:

1)sufoca

2)sabe que é complicada, mas diz que vale todo o trabalho que dá
3)tenta conquistar um homem só para se sentir desejada
4)quando consegue sair com ele, não o suporta mais
5)ameaça se matar sem se importar com quem a ama de verdade, só para se livrar da dor
6)vai ficar com raiva do que escrevi, mas é pura verdade (risos)...!!!”.

Embora não admitisse nem para si, Gisele concordava com a amiga, mas não queria acreditar em tudo o que acabara de ler a seu respeito. Agora, sentia vergonha. Não saberia como olhar para Pedro depois daquele vexame e de uma série de trapalhadas que fez, porque acreditava lutar por ele, sem pensar que nunca perdemos o que nos é de verdade, principalmente quando se trata de sentimentos.

Estava arrependida, principalmente depois de ter conhecido Zurawsky. Achava engraçada a maneira como fôra patética: era muito vaidosa para se matar; ainda mais da forma trágica que tinha planejado. E, afinal das contas, amores sempre vêm e vão como aves de verão, outono, inverno e primavera.
...

Vida recomeçada, voltou ao trabalho do qual, meses anteriores, quase fôra despedida por conta da depressão que se instalara nela. Aparentemente estava linda e simpaticíssima como naturalmente era, mas no fundo ainda não estava totalmente recuperada. Estava num hotel e passaria um final de semana lá. Sua chefe mau-humorada, que prendia o porteiro a algemas em seu escritório para satisfazer suas fantasias sadomasoquistas, pedira a Gisele que fosse cobrir um congresso internacional de Ciências Moleculares na grande São Paulo e como não podia recusar, ela foi ao congresso, mesmo não gostando de servir como imprensa. Por que escolhera a profissão de Jornalismo? Assim não teria que servir como Relações Públicas e nem aturar Pedro em suas aulas de Roteiros de Cinema, porém, sabia que seu prestígio profissional estava decaindo e não hesitou em abrir um sorriso de aceitação para sua chefe que não retribuiu o sorriso.

No hotel em que a hospedava e abrigava o evento, procurava a figura de Pedro por todos os lugares e traços de centenas de homens que se encontravam naquele internato de Biologia. De repente, como algo sobrenatural, bateu os olhos em Zurawsky. Encantou-se na hora. Encantamento à primeira vista. Amor não. Não se sentia preparada para amar e andava meio desacreditada nesse sentimento. Mas, por um segundo, queria ao menos conhecer o homem capaz de fazê-la instantaneamente esquecer de seu ex-marido. Queria saber quem era o homem que fez despertar nela um sentimento súbito e estranho. Estranho pra melhor, claro. Decidiu que teria que conhecê-lo. Aproximou-se e perguntou seu nome. Afinal, o que tinha a perder? E, era da imprensa, logo, pretextos para puxar assunto não faltavam. Apaixonou-se pela simplicidade da resposta: “Zurawsky Schwartz”. Gisele arregalou os olhos sem entender. E ele logo explicou. “Não se espante. Nem eu sei a origem desse nome. Não tenho nem certeza de como se pronuncia isso”. Leve risada de ambos e Gisele falou: “Nossa. E que tipo de nome é esse? Grego?”. Leve risada novamente. “Acredito que seja polonês ou russo. Mas de qualquer forma, nasci na Suíça e moro em Cuba”. Mais risada. “Então, senhor mapa-múndi, prazer!”. E Zurawsky retificou: “Prazer não. Satisfação. O prazer vem depois” Risada acentuada. Gisele não perdeu tempo e disse “Prazer, então”. Zurawsky ficou surpreendido, mas não menos encantado. Ficou sem palavras. Nunca esperaria uma resposta daquelas. E, ela completou: “O gato comeu sua língua? Ou suas línguas?”.E, finalizando, Zurawsky disse: “Não se preocupe, se ele comeu uma língua, ainda me sobraram algumas. Se preciso, falo até mandarim, mas não deixo de me comunicar com você”.

A conversa foi se estendendo e conversaram sobre tudo. De gostos musicais à visão política. Gisele era fã de Elis Regina e Zurawsky só ouvia hinos de países. Ela o achou brega e estranho e ele a achou preconceituosa, mas os dois estavam adorando um ao outro. Depois ele disse que a história dos hinos era mentira e que ele tocava saxofone numa banda de jazz. Os dois riram muito. Gisele apreciava um homem que a fazia rir e isso era um ponto forte de Pedro, mas sem saber o motivo ela não pensara em Pedro durante a conversa toda. Estava totalmente envolvida com seu novo e exótico amor. Zurawsky fazia a linha “pré-coroa bem-sucedido” Regulava entre 38 e 40, médico infectologista, muito branco, esbelto, cabelos loiros e pêlos de barba prestes a nascer, mas que nunca nasciam. Era a contradição em pessoa, pois andava em ternos de grife e defendia idéias de Che Guevara. Sem contar nos seus discursos contra exploração do proletariado baseados em algum desses filósofos revolucionários que defendiam também os negros. Morava em Cuba por considerar a Suíça sofisticada demais para conseguir viver lá sem se sentir culpado.Gisele pegava-se estabelecendo diferenças entre as idéias de seu futuro grande amor e a futilidade de seu ex-marido. Na teoria, ela achou Zurawsky lindo, inteligente e engajado. Na prática, era muito fácil alguém de família rica largar tudo para se engajar em causas sociais. Queria ver se precisasse trabalhar todos os dias, sustentar família, e passasse dificuldades financeiras, teria a mesma opinião. Mas preferiu não emitir essa opinião. Guardaria para a primeira briga.

Estavam tão envolvidos que durante o evento todo procuravam acalento no olhar do outro. Não agüentavam mais os cientistas debatendo vários assuntos chatos e inúteis. O simples final de semana parecia uma eternidade perante todos aqueles doutores e estudiosos, mas Gisele não sairia daquela eternidade por nada no mundo. Por uma única pessoa, estava disposta a passar a vida inteira naquele evento chato. Quando um jornalista mauricinho pediu informações sobre um dado estatístico da Suíça, recorreu ao seu afeto sem pestanejar. Zurawsky viu a chance de fugir do evento e dar uma espairecida nos braços de Gisele. Disse que precisava subir ao seu quarto para pegar as informações em uma pasta. Pediu que Gisele o acompanhasse. De porta aberta, no quarto em que estava hospedado ao lado de outro palestrante, abriu o armário e pegou os folders, que caíram no chão. Quando, simultaneamente, agacharam para pegá-los, as bocas se atraíram em poucos segundos. Olhos nos olhos. Ele a beijou com fúria, ela apenas estranhou o mau hálito.”Colonizados por europeus, dá-se um desconto”, justificou a si mesma. Cambaleando, ele fechou a porta e a imprensou na parede. Ela de tailleur arriado e ele de calças abaixadas, loucos e jovens, jogando o peso das cinturas sem esperar nem se importar com o outro. Ele balbuciou algumas palavras num dialeto suíço que para ela eram apenas gemidos de prazer. “Definitivamente, sou uma piranha” pensou ela dando um breve sorriso.

Depois da tórrida cena excitante, foram olhar a cidade de cima, no alto de 20 andares do hotel. Ele falava de como nunca tinha visto São Paulo daquele ângulo e que, apesar da fama do Rio de Janeiro, São Paulo sim era uma cidade maravilhosa. Ela sentia que ele também estava envolvido, mas hesitava em fazer juras de amor, pois sabia que Zurawsky iria embora assim que o congresso terminasse. Voltaram para a palestra. Gisele já estava com as informações para o jornalista mauricinho. Estava desconcertada pela demora, mas estava extremamente feliz. Nunca estivera tão feliz e realizada em toda a sua vida. Realizada como ser humano. Realizada como mulher.
...

A solidão fez com que Pedro pensasse que talvez a loucura de Gisele fosse um mal necessário. Não acreditou muito quando ouviu na sua caixa postal a ameaça de suicídio e resolveu partir pra outra. Agora precisava de uma mulher, mesmo que só por uma noite. Mesmo sabendo que ao término dessa noite voltaria a ficar só e continuaria vazio por dentro. Naquele momento, Pedro percebia que Gisele era realmente o amor de sua vida e que toda sua falta de maturidade foi a causa de todo o seu sofrimento. E agora estava sozinho. Sem ao menos Jimmy Hendrix para consolá-lo. Não achara o cachorro desde o Halloween. Chorou mais uma vez, mas disfarçou quando seu amigo da faculdade chegou com uma agenda de telefones e algumas fotos de mulheres para apresentar a ele. O amigo tinha a melhor das intenções, mas Pedro não estava entusiasmado com aquilo. Procurava outra coisa. Procurava mais. Procurava Gisele. Falaria com Gisele.
...

Marcaram encontro de madrugada. Gisele pediu para que Zurawsky aparecesse após a colega de quarto dormir. Ela daria um toque no telefone de seu quarto. O combinado era ficarem apenas abraçados a noite toda, quietos debaixo dos lençóis e não trepar novamente. Ele, de pijama, chegou ao quarto e ela, que esperava pelo olho mágico, sussurrou que ele entrasse e fosse direto para debaixo das cobertas. Se fosse visto saindo do quarto em que estava hospedada, seria despedida. Não poderiam conversar muito, com o risco de sua assistente, que dormia na cama ao lado, acordar. Ficaram alguns minutos só se reconhecendo por toques, beijos, cheiros.
Descompromissado, disse que queria levá-la com ele. Ela não acreditava mais. Com Pedro, ela sempre modulou o tom de voz, as opiniões, os gestos, mas com Zurawsky ela poderia ser ela mesma sem correr o risco de ser julgada a qualquer momento. E não queria outra coisa. Poderia ficar horas ali conversando com seu “polonês-russo-cubano-suíço” novo amor. No entanto, com a maestria dos experientes, Zurawsky tapou sua boca e fez sexo com ela com o corpo protegido apenas pelo cobertor. O trauma de seu histórico seminua tinha sido superado. Agora ela estava feliz e mordendo o travesseiro, controlando-se para não gemer e acordar sua assistente.

No dia seguinte, disfarçou com maquiagem os olhos inchados e os chupões no pescoço. Já Zurawsky parecia ter levado uma surra. Término do evento. Não o acompanhou até o aeroporto porque ele iria de táxi acompanhado por outros cientistas e palestrantes. Ele ainda pediu para que o esperasse. Desiludida, Gisele disse que não iria. “A vida é assim mesmo, Sr. Mapa-múndi, cada um segue seu rumo”, advertiu. Quando ele visivelmente triste virou as costas, ela o chamou. E sorriu como agradecimento. Lágrimas na alma.
...

De alma lavada, se livrou de todas as roupas de mulher oferecida, de todos os acessórios e de todas as idéias loucas que passavam pela sua cabeça assim que havia terminado com Pedro. Estava renovada, não precisava mais se auto-afirmar. Era a Gisele de sempre, ou melhor, uma nova Gisele. Uma mulher que se conhecia, que se amava, que sabia que dependia dela mesmo para encontrar a felicidade. Planejou uma prova de amor. Romântica, só sabia amar assim, dedicando-se até a exaustão. Exagerada e Intensa. Comprou um maiô e decidiu que atravessaria o país a nado para ir ao encontro de seu amado. Agüentaria nadar até Cuba? Não sabia. Era péssima em Geografia. E deveria estar preparada para morrer, se preciso. Morreria como uma heroína romântica. A mesma de seus poemas que tanto gostava de escrever. Quem sabe não fariam uma homenagem a ela no Programa do Jô Soares depois de morta? Nada mais a prendia naquele lugar. Iria em busca da felicidade. Antes de vestir o maiô, passou numa papelaria e comprou papel contact para revestir o mapa-múndi que levaria consigo.

Chegou em casa e encontrou Pedro, que a visitava com o intuito de renascer todo o amor que ele tinha e pedir perdão a quem ele sempre soube que era o amor de sua vida. Quando ela o encontrou, o tratou com tanta cordialidade que até o feriu. Ao servir biscoitos recheados e uma xícara de café-com-leite, Gisele falou de seus planos loucos de amor, de sair do país e que estava perdidamente apaixonada. Conversavam como velhos amigos que foram um dia. E essa era a prova da qual ela precisava. Não sentia ódio nem rancor por Pedro. E ele, abismado com tanta civilidade e simpatia de sua ex-mulher, desistiu de dizer o motivo da visita. Desistiu porque viu que Gisele estava feliz e, pior, sabia que ela estava feliz sem ele. Sentiu-se culpado, mas desta vez, não sabia se iria superar. Foi embora. Gisele sabia que ele queria reatar o relacionamento, porém, era tarde demais: ela se apaixonou perdidamente por um cara. Pouco tempo depois, foi rejeitada. Quando ele quis voltar atrás, era tarde. É a lei do retorno: Pedro não fôra legal com Gisele e alguém não seria com ele. Simples assim. Pedro precisava amadurecer e aprender a dar valor às pessoas. Acabara de descobrir o que era amar. Ficaria feliz mais tarde quando encontrasse Jimmy Hendrix de volta cavando um buraco em frente à porta da cozinha.

Após a conversa com Pedro, Gisele seguiu seu plano à risca. Já diante do abismo, em frente a um mar revolto que parecia espancar as pedras, em posição de mergulho, questionou-se: “Existe vida após amar demais?”. Fechou os olhos e concluiu. “Sim, existe!”. E se atirou, em posição de mergulho. Zurawsky a esperava, sem saber se um dia ela iria chegar...

FIM

domingo, abril 01, 2007

Amor de Índio


Tudo que move é sagrado
E remove as montanhas
Com todo cuidado, meu amor
Enquanto a chama arder
Todo dia te ver passar
Tudo viver a teu lado
Com o arco da promessa
Do azul pintado pra durar
Abelha fazendo mel
Vale o tempo que não voou
A estrela caiu do céu
O pedido que se pensou
O destino que se cumpriu
De sentir seu calor e ser todo
Todo dia é de viver
Para ser o que for e ser tudo


Sim, todo amor é sagrado
E o fruto do trabalho
É mais que sagrado, meu amor
A massa que faz o pão
Vale a luz do teu suor
Lembra que o sono é sagrado
E alimenta de horizontes
O tempo acordado de viver
No inverno te proteger
No verão sair pra pescar
No outono te conhecer
Primavera poder gostar
No estio me derreter
Pra na chuva dançar e andar junto
O destino que se cumpriu
De sentir seu calor e ser tudo



Porque inefáveis são as minhas sensações quando ouço essa música!!

sexta-feira, março 02, 2007

Conto - À Flor da Pele


Fala galeraaaaaaa!!!

Inauguro minha sessão de Contos com o primeiro que escrevi depois de muuuito tempo parado e depois de ter jogado toda a produção literária de adolescente (hahahha) fora!!

Aí vai!!

Trilhas Sonoras recomendadas:
* Todo azul do mar - versão Cídia e Dan
* Bad Day - Daniel Powter


À Flor da Pele

“Quando eu dei por mim, nem tentei fugir...” Era esse trecho de uma canção que Daniel ouvia em seu carro enquanto se preparava para suicidar-se. Segundo ele, motivos tinha de sobra, ou melhor, um único motivo que valia por muitos : amor não-correspondido. Daniel culpava-se por não ter conquistado a mulher de sua vida. Tentara encontrar, por várias vezes, motivos que a fizeram se afastar dele. Trabalho, talvez? Já que era uma importante empresária. Dona de uma rede de lojas de conveniência, dessas que só vendem acessórios pra mulheres e que têm propaganda durante os intervalos da novela das oito. No entanto, o que mais incomodava mesmo era o descaso dela para com ele. Ele se sentia excluído da vida dela; sentia-se impotente como uma pessoa que apesar de ter conseguido tudo na vida, não conseguia manter o amor verdadeiro que sentia por uma mulher à sua altura.

Uma mulher à altura dele sim, pois nunca entendera a razão de ter se casado com Simone, uma simples professora primária, que dedicava o seu tempo ao tricô e aos afazeres do lar. Não tinha uma mulher em casa, tinha uma doméstica. Por mais que Simone fosse uma esposa ideal, daquelas que todo mundo qualifica como prendada e que ouve aqueles comentários: “está pronta pra casar!”, Simone não era o tipo de pessoa que completava Daniel totalmente. Qualquer homem decente daria a alma para tê-la ao lado, mas não Daniel. Ele sempre reclamava, pois, aparentemente, ela não tinha defeitos, era boa mãe, boa esposa, boa profissional, enfim, era boa. Boa demais. Mas não passava disso. Era boa demais, mas apenas boa. Boa demais na dedicação, apenas boa no sexo. Por vezes Daniel procurava motivos, pretextos para arrumar uma briga com Simone, mas não encontrava. Ela era perfeita demais...Perfeita não! Boa. Daniel se mordia por dentro observando a vida rotineira de sua esposa, a mesma que ele acompanhava de perto todos os dias, a mesma vida repetitiva a qual estava fadado, apesar de sempre ter abominado esse estilo padronizado de viver. Simone chegava da escola municipal onde trabalhava e ia se trocar, não antes de abrir um pequeno baú rosa que ganhara de sua mãe quando criança, agarrar-se a um terço e rezar por ter chegado bem em casa. Daniel não sabia o porquê, mas sentia ódio, raiva e despropósito ao ver aquela cena infantil e pura que ele nomeava de ritual patético. E isso já bastava para Daniel. Principalmente quando a comparava com Carolina.

“Carolina é uma menina bem difícil de esquecer”. Outra canção no carro rumo ao nada, ao desconhecido...Ou melhor, ao conhecido destino da morte. Conhecido sim, pois Daniel já provara o gosto amargo de perder a vida, assim que perdeu Carolina.

Conheceram-se em uma exposição de Daniel. Ele era um artista plástico renomado pela mídia e pela elite carioca. Tinha várias especializações e divulgava seu trabalho sem qualquer problema, não importasse com quem teria que dormir pra conseguir isso. Carolina não suportava todas essas chatices culturais, dizia que tinha mais o que fazer. Porém, naquela semana em que se conheceram, Daniel expunha a obra: “Sempre mulher” pinturas e esculturas sobre a trajetória da mulher brasileira até chegar à liberdade e ao sucesso. E, Carolina, comprometida com sua imagem de empresária bem-sucedida, não poderia faltar, sem contar que não conseguia livrar-se da pressão de seus assessores para comparecer ao evento.

Esbarraram-se e, por pouco, ela não derramara vinho sobre ele. Após um pedido de desculpas, apresentações e um sorriso de ambos, ela comentou: “uma chatice isso, né?”. Lógico que não sabia com quem estava falando. Daniel logo pensou em dar uma resposta atravessada, mas por algum motivo, controlou-se e perguntou: “Acompanhada?” E ouviu a seguinte resposta: “Quem dera!”. Daniel, além de lindo, era totalmente galanteador, não deixou a brecha escapar: “Creio que não por falta de oportunidade”. Carolina, sentindo-se pré-envolvida pelo charme de Daniel, abria mais o terreno: “Talvez por falta de convite”. Ambos sorriram novamente e Daniel deu-lhe o braço para cruzar com o dela. Foi quando avistou Simone e disse à sua nova conquista: “Adoraria ser seu par, não apenas por hoje, mas sinto informar-lhe de que sou casado”. Daniel sentiu um ódio profundo ao avistar Simone como se ela fosse a causa de todos os seus problemas. Foi quando ouviu de Carolina: “Essa situação só o torna mais excitante!”.

Trocaram telefones e combinaram de se encontrar no dia seguinte. Daniel sempre foi muito atraente, mas Carolina nunca foi a mais bonita da classe, mesmo assim, existia algum ingrediente desconhecido que a fazia tão especial e tão linda. A exposição foi um sucesso. Daniel era só sorrisos e Simone, uma acompanhante perfeita. Apenas uma acompanhante. De vez em quando, olhares se entrelaçavam. Daniel corria os olhos pelo museu a procura de sua nova e encantadora surpresa, e a encontrava sempre perto de uma pintura bela. Pintura que era inspirada nela. Pela primeira vez, Daniel conseguia dar sentido às suas pinturas que antes eram somente técnicas, mas agora carregavam um sentimento.
...
Simone chegara em casa. Direto para o seu baú rosa, abria-o, pegava o terço, rezava e ia falar com seu marido. Daniel sentia nojo daquela mulher, mesmo sem entender direito a razão. Só tinha uma explicação: falta de amor. Mas nem se importava tanto. Seus pensamentos estavam conectados a uma única pessoa: Carolina. Ela era tão meiga, mesmo com a aparência de mulher forte e decidida. Não esperou. Ligou para ela e eles se encontraram. Foi o dia mais perfeito e mais intenso da vida dele. E ele tinha certeza de que era igualmente especial para ela. Desde então, se encontravam com freqüência, iam a teatros, cinemas, confeitarias juntos. Só não iam a museus, pois lá encontrariam Simone. Estavam apaixonados perdidamente. Daniel nem lembrava mais que tinha casa, trabalho, filhos e esposa. Esposa, esta, que parecia não perceber a ausência constante do marido. Parecia um robô, uma paisagem bonita demais, mas apenas bonita. Daniel nem ligava. O tempo passava e o seu amor pela outra só crescia.

Foi quando numa manhã ensolarada, Daniel resolveu fazer uma surpresa e levar flores para Carolina. Foi até a uma das lojas dela e a surpreendeu com outro homem, apenas conversando. Tratava-se de um assessor de Carolina, mas Daniel teve uma crise de ciúmes, fez uma cena indigna para alguém de sua classe, bateu no assessor e foi embora. Exigiu explicações de Carolina, mas esta começara a tratá-lo com descaso, com repúdio. Carolina não era propriedade de ninguém. Era uma mulher livre. Liberdade acima do amor. Nem ela sabia se o que sentia por Daniel era amor. Estava envolvida sim, mas amor? Será? Nunca se imaginara saindo com alguém envolvido com artes, gostava muito dele sim, mas amor...Palavra forte demais. Curtia a vida intensamente, era uma mulher equilibrada, de opinião e talvez isso tenha atraído Daniel, mas Carolina não tinha um sentimento intenso por Daniel. Chegara a dizer uma vez a ele que era bom em sexo. Apenas bom em sexo. Apenas bom. Já tivera melhores. Daniel levava na brincadeira. Estava cego demais pra enxergar os defeitos de Carolina e perceber o real sentimento dela. E foi fazendo tais análises que Carolina se deu conta de que o amor que ele sentia por ela, não poderia ser mais correspondido porque não era em proporções iguais. Daniel amava demais e ela amava de menos. E não era assim, na filosofia dela, que a vida funcionava, que um relacionamento funcionava. Precisava contar isso a ele.

Resolveu não contar, adiar o sofrimento dele um pouco, afinal, ela gostava de sair com ele, de conversar com ele. Dava-se conta de que tirava proveito dele, mas e daí? Não fazia mal a ela e nem a ele. Mas as cenas patéticas e constrangedoras de Daniel continuavam e ela precisava dar um fim naquilo. Não importava o quanto ele ficaria magoado, mas tinha que ser franca. Marcou um encontro que seria o último dos dois...

...
Desabafou e terminou o seu “affair” com Daniel. Desolado, não conseguia tirar aquelas frases da cabeça: “Eu amo o jeito que você me ama, mas odeio o fato de ter que te amar assim de volta”. Mal sabia ele que as palavras de Carolina eram apenas traduções mal-feitas de uma música do Silverchair. Passou dias a fio trancado em seu quarto. Não tinha ânimo pra pintar, pra comer, pra nada. Desconhecia o significado da palavra ânimo, alegria, felicidade, amor... Não. Essa ele conhecia, mas não entendia. “Onde foi que eu errei?” “Foi te amar demais?”. Daniel não se dava conta de que todo o seu ciúme, toda a sua pseudo-proteção era infundada, era o que fazia Carolina estar mais longe. Não percebia o seu erro. Não enxergava nada, não pensava em nada, não chegava à conclusão nenhuma. Preferia a morte a viver longe do amor de Carolina.

Simone, como sempre dedicada, procurava saber do seu marido, chorava pelos cantos e não suportava mais aquela situação. Ia ao quarto, abria o baú rosa, pegava o terço e rezava. Sentia que não podia fazer nada, apenas rezar. Diariamente repetia esse circuito. A essa altura, Daniel nem se importava mais com as atitudes estranhas e os rituais religiosos da esposa, Queria mais que ela se explodisse. Só se importava com uma única pessoa no mundo todo.

Pegou o carro e decidiu que não conseguiria mais viver sem o amor da sua vida. Se for pra viver sem um amor, não viveria então. Demorou tanto para encontrar algo ou alguém que desse um sentido real à sua existência, e, agora que encontrara, deixara escapar. Entrou no carro rumo ao nada com um único propósito: a morte. Ligou o rádio, pois sempre imaginou uma morte com trilha sonora, como nas novelas das oito. Novela das oito que o fazia lembrar dos comerciais de uma loja famosa, que conseqüentemente fazia-o lembrar de sua grande paixão. Era por ela que ele estava fazendo aquilo. “Quando dei por mim, nem tentei fugir”.Era esse trecho que tocava em seu rádio. Mas ele estava tentando fugir, fugir de sua vida, fugir de tudo, fugir da possibilidade de viver sem Carolina. “Daria pra beber todo azul do mar”. Decidiu. Iria jogar o carro contra o mar, contra o oceano, contra a Baía de Guanabara. Beberia todo azul do mar, beberia todo azul do mar, beberia todo azul do mar...

“Carolina é uma menina bem difícil de esquecer” a segunda música no rádio. Foi aí que acendeu uma luz no fim do túnel. Por que esquecer Carolina? Por que esquecer o amor de sua vida? Sentiu-se envergonhado e covarde pela situação. Era preferível permanecer em vida e lutar por ela. Afinal, não que o amor não tivesse sido correspondido. Foi sim. Impossível esquecer os momentos juntos, tanto pra ela quanto pra ele. Era apenas um amor perdido pelas circunstâncias da vida. E que em uma rua ou outra se encontraria novamente “Eu só quero saber em qual rua minha vida vai encostar na sua”. Desligou o rádio. Virou o carro e foi até a loja dela. Decidiu reconquistar seu amor. Sabia que o amor era a resposta para todas as questões do seu coração. Decidiu resgatar o que havia perdido. Pedir perdão, recomeçar. Seria então, livre para amar.

Incrivelmente feliz, aproximava-se da loja de sua amada, quando, de repente, ouvia sirenes e se deparara com uma multidão de afobados em frente à loja. Eram muitas pessoas, dentre policiais e bombeiros. Daniel, desesperado, corria de um lado pro outro querendo saber o que estava acontecendo. Sentia seu coração bater mais forte. Mau pressentimento. Foi quando, empurrando um bando de curiosos e autoridades, encontrou o corpo de Carolina numa poça de sangue em frente à sessão de batons. Daniel lacrimejava e estava atônito à frente do corpo, olhava pra todos os lugares e os batons o faziam lembrar do lindo sorriso dela. Do sorriso que ele contemplou na noite da exposição. A primeira noite significativa de sua vida. A noite que mudaria toda sua vida. Todos os momentos em que Daniel passou com Carolina passavam como filme na cabeça dele. Era isso? A vida se resumia nisso? E a história de amor que ele estava disposto a construir? E com o sentimento dele? Ninguém se importava? Por que Carolina? Poderia ter sido Simone! Que tipo de justiça é essa? Que tipo de destino é esse? Os pensamentos e sentimentos de Daniel se confundiam naquele momento. Todas as cores dos batons ao redor daquele vermelho vivo de sangue faziam Daniel girar, remetiam a seus quadros, um monte de cores abstratas que no fundo não faziam sentido algum. O que presenciava era concreto, as cores eram concretas. Poderia tocar nelas, senti-las. Água se mistura às cores. Daniel chora, mas sem qualquer ruído. Lágrimas caindo, sem expressão.

Os policiais tiraram Daniel dali, que mal conseguia se mexer. Disseram que alguém tinha entrado na loja e atirado em Carolina. Estavam ainda apurando fatos e entrevistando testemunhas. Morte Súbita com apenas dois tiros. Um na cabeça e outro no coração.

Exausto e com os olhos vermelhos de tanto chorar, Daniel chega em casa totalmente desiludido da vida. Não entendia o propósito da vida. Não entendia o propósito da vida sem Carolina. Vontade de voltar ao carro e ir ao encontro de Carolina em uma outra dimensão, ele tinha. Mas não tinha mais forças. Não sabia nem o que fazer por si próprio, quanto mais por Carolina. Entrou no quarto e viu Simone dormindo profundamente. Lembrou-se do ritual dela. Não achava mais patéticas as atitudes da esposa, encarava mais como religiosas ou supersticiosas. Até mesmo inocentes. Resolveu rezar por Carolina, o mínimo que ele poderia fazer apesar de nunca ter sido apegado a religiões. Mesmo completamente arrasado e choroso, criou forças e antes de deitar-se, foi até o baú rosa e abriu-o. Fez uma expressão de espanto quando viu ao lado do terço de sua esposa, a foto de Carolina e um revólver carregado...

FIM

sábado, fevereiro 24, 2007

About Me




Bom, na falta do que escrever, resolvi postar uma parte do "about me" do meu orkut!!

Eu mesmo que fiz, apesar de estar em terceira pessoa... Será que só psicopatas e serial killers escrevem em terceira pessoa sobre si mesmo?
Ih...fiquei com medo agora...kaka

Mas sou inofensivo!!
hehehehe

Lá vai:

"Simples d+ para ser percebido
Especial d+ para ser esquecido

Encantador. Um misto indescritível de palavras e versos e ventos. Uma estrada que não acaba. Sonhos e utopias que, mais tarde descobre-se, não eram tão utópicas. Um ser que não existe, que não desiste. Apaixonante. Um aventureiro que anda pelo mundo em busca de vida. Que planeja cada passo, cada palavra, cada beijo, cada ato meticulosamente. Estrategista. Daria um perfeito jogador de "Scotland Yard" ou "Detetive". Cômico e Hilário. Bobo. E pode brigar com ele – ele sabe perdoar. Diplomata. Extremamente ciumento. Orgulhoso. E acredita que cada instante é eterno. Que seja eterno enquanto dure! Capaz de transformar pequenos momentos em grandes lembranças. Um conquistador nato (em vários sentidos). E quer sempre o impossível, o improvável, mas também o que está logo ali, ao alcance. Amante da vida. Protagonista da história que ele sonha e aprende a compor. Crítico. Faz cara de vilão, de podre e elitista. Bonzinho e cruel ao mesmo tempo. Convincente e Convencido. Pose de intelectual. Debochado e Sarcástico. Um menino mimado que até aceita ser contrariado, mas que quer tudo agora. Um amigo pra quem se empresta tempo e até vida, se preciso. Que sofre junto e chora junto, que te faz sentir que está vivo e que viver vale a pena se houver um amigo, um amor, uma barraquinha de cachorro quente na esquina... Tem lá suas paranóias e transtornos obsessivos compulsivos, mas é preciso deixar que ele te leve, te ensine, te enxergue. Poeta que dá à vida forma de prosa. Ri do mundo e goza. Louco. Intenso. Capaz de cometer loucuras inimagináveis, de dançar funk na frente de uma igreja católica, de vomitar num cinema inteiro, de estragar a máquina de xérox da faculdade, de fazer amizade com todos os passageiros de um ônibus, de casar contigo agora. Vê o mundo com olhos de criança e com os mesmos olhos desvenda sua mente, seu coração, te invade. Alguém que não existe, mas anda nas ruas, esbarra nas pessoas e com elas cruza olhares... Um completo autista. Sagaz Boladão. Movido a som. Notas graves e agudas de uma flauta transversal. Um humano cheio de defeitos e qualidades. Imperfeito. Mas que se difere pela vontade de encarar a vida e de viver. E vive."

E tenho dito...